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Thursday, July 23, 2009

Lembranças de um princesa...Ah querida Princesa do Sertão

Eu falo muito pouco da minha cidade aqui. Eu falo muito o que eu quero. No entanto, faltam-me palavras para falar o tudo que ainda vou digitar.

Se eu fosse resumir Feira de Santana em uma palavra, talvez esta fosse: incógnita. Segundo o dicionário Michaelis, incógnita quer dizer aquilo o que é desconhecido e que se procura saber. É exatamente assim que descrevo a minha cidade. Um tudo e um nada.
Eu a conheço através dos olhos de quem pouco anda por aí. A minha percepção é uma tabula rasa. Não, não, não. Minto. Não acredito nessa concepção, tão pouco a utilizarei aqui. Às vezes o ritmo das palavras me conduz a lugares inesperados e a tabula rasa certamente foi um desses guias interessantes.

Vago por entre as letras e não chego a lugar algum. Alguém até agora sabe o que falei de minha cidade? Nada. Porque o nada é de fato alguma coisa, e essa coisa tem que ser explicada porque somente assim, se torna nada.

Eu sinto vontade de passar as tardes na praça do meu bairro, sentada com um violão na mão. Mas tenho medo da violência.

Queria poder prestar atenção em todos os detalhes e fazer um recorte profundo sobre as pessoas que aqui vivem, ou passam os dias, seja para trabalhar, ou então porque apenas vão ao encontro de alguém.
Uma vez, um dos poucos momentos em que estive lá, presenciei uma briga. Uma funcionária sendo despedida. Na verdade, em frente à praça, havia uma pizzaria, não sei se hoje existe mais. Faz tempo que não passo por lá. E foi nesse local que as vozes em tons altos se disseminavam e puderam chegar ao alcance dos meus ouvidos.

As pessoas se desentendem o tempo todo. Discutir é mais fácil do que dizer um “eu te amo”. Seria engraçado se todos se cumprimentassem com esta frase.

-Olá, tudo bem?
- Tudo.
- Eu te amo!
- Eu te amo!

Ou quem sabe...
- Sou Inali Silva, muito prazer.
- Sou Kur
t Cobain, eu te amo.
- Eu te amo também.

Porque seria legal se todos se amassem, mas não que o “eu te amo” se tornasse banal. Mas que fosse dito de coração. Imaginem Hitler falando aos judeus: “eu te amo”. Não teria existido guerra nenhuma. Ihhhh... tô começando a viajar demais.

Viajar é bom. Os meus olhos brilham de felicidade. Locais diferentes, novos costumes, culturas desconhecidas por mim até então. Mas também gosto de ficar em Feira de Santana. Quando passo muito tempo longe. Sinto falta. Sinto falta do movimento, do comércio. Das praças. Já mencionei que todos os prefeitos que por aqui passaram adoraram fazer praças? Temos praças bonitas, muito colorido, mas muito lixo também. Muita gente, não todas, gostam de jogar papel e sujeira por aí. Mas essas mesmas depois são pegas dizendo “êta cidade suja”. Eu não consigo entender.

Na minha cidade também tem teatro. Mas é pouco valorizado. Tem artista na cidade e tudo. Gente que sabe interpretar melhor do que certa gente da televisão, embora passe por sacrifícios, poucas peças, essas pessoas lutam e fazem do momento de atuação um eterno brilho de respostas do tipo: “Nós existimos e queremos ser vistos”.

E show de rock também tem! Desses eu não posso esquecer. Estamos na Bahia, terra do pagode, axé e por aí vai...Mas quem disse que não há cultura de outras gêneros ? Há sim, e muita coisa boa! Bandas que vão desde o rock pesadão até o mais light. Gente que anda de preto com skate na mão. Gente que vive cantando, porque a música é a melodia da vida. Tem que estar em todo lugar.

Não foi muito, nem foi o bastante. Mas Feira é isso. Essa contradição de sentimentos, cores e sons. Eu sou mais uma nesse centro, caminhando pra não sei onde não sei.
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