Boa parte da mídia brasileira é controlada por pessoas engajadas em algum órgão político. Seja o vereador que tem uma rádio, seja o prefeito que possui um jornal, esse controle exercido intensifica a frase “A mídia age como partido político”.
Pesquisando um pouco sobre o assunto, descobri um projeto chamado “Donos da Mídia” desenvolvido pelo jornalista Daniel Herz sobre a grande liberação de outorgas de rádio e TV promovida pelo governo do presidente José Sarney. Em menos de três anos, o presidente havia liberado 527 concessões e permissões de emissoras de rádio e TV. A maior parte para parlamentares que posteriormente votaram pela aprovação do quinto ano de seu mandato. Alguns dos resultados mostram em números a quantidade de veículos de comunicação e o controle deles por políticos de determinados partidos políticos e é a partir desse ponto de vista que se nota como as informações passam por um processo de filtragem ou censura quando o assunto é interesse público.
Dessa forma, a mídia privada além de tratar os interesses privados, vai também expor os interesses públicos de forma privada quanto ao seu conteúdo, ao seu direcionamento, ou a maneira pela qual eles são analisados.
Veja um caso recente sobre o de diploma de jornalismo que ilustra bastante o pensamento anterior:
Veja um caso recente sobre o de diploma de jornalismo que ilustra bastante o pensamento anterior:
No caso do diploma de jornalismo, ela tratou o assunto dando um viés simplesmente informativo como se a população não precisasse se preocupar com tal medida, afinal o assunto não foi colocado em posição de destaque. Ela tratou um assunto de interesse publico, mas não como interesse público. Deixando claro que excluo a internet dessa mídia, pois esta propõe muitos debates a cerca do assunto.
Quando falo que a mídia age como partido político preciso destrinchar mais precisamente de que forma ela atua para se afirmar tal relação.
São as classes que controlam os meios de comunicação. A mídia funciona na verdade como uma espécie de intelectual orgânico da burguesia, para utilizar um termo de Gramisci. Ela organiza os interesses da burguesia, dá-lhes visibilidade, debate-os, e aponta soluções para os interesses da burguesia.
Em alguns países capitalistas, como os Estados Unidos, por exemplo, você tem certas leis que ainda tentam impor um certo controle às corporações. Os EUA têm uma lei que impede a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Então, o sujeito que é dono da televisão de uma determinada região não pode, ao mesmo tempo, ser dono de um jornal impresso nem de emissora de rádio. Isto é proibido. Se for dono de uma emissora de rádio não pode ter televisão, nem jornal. No Brasil essa lei não existe, e o sistema contribui para que sejam asseguradas as corporações. Esse poder controla as idéias e o espaço de informação acaba sendo restringido a um único grupo ideológico. Não há espaço para divergências de idéias.
No entanto, certas pautas acabam entrando no jornal mesmo contra a vontade dos donos, porque tem que manter uma certa credibilidade. E isto cria um problema para os donos, porque eles não podem mentir ou omitir o tempo todo. E aí é que se dá um espaço de luta na mídia, que permite que jornalistas sérios trabalhem nos grandes veículos. Porque esses veículos precisam de jornalistas sérios que dêem credibilidade, mesmo que às vezes eles produzam coisas que no momento vão contra os interesses dos jornais. Só que esses assuntos não vão ter o viés que deveriam ter, mas pelo menos estão na agenda da mídia.