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Sunday, August 9, 2009

A construção da masculinidade baiana

Muito se diz a respeito da feminilidade, feminismo, etc e tal. Hoje eu resolvi fazer um texto abordando a masculinidade, que também é construída sócio-culturalmente.

Existem poucos estudos relativos ao tema. É necessário compreender que a masculinidade é vista sobre tudo a partir do falo. Algo visto como “evidente”, e, portanto “inquestionável”.
Porém, com os estudos feministas e gays analisando a noção de gênero que concebemos hoje, é possível perceber como as características ditas como masculinas são produto da sociedade e da cultura a qual reside. Deste modo, essa construção é histórica, mutável e relacional.

Também é preciso salientar a importância do contexto. Não adianta universalizarmos algo de tão complexa estrutura. Para poder entender as relações de gênero é necessário que se compreenda que este está ligado a uma série de elementos vinculados às estruturas de classe, poder e etnicidade que estruturam as relações sociais.

Com isso, pode-se perceber que há não só um tipo de masculinidade, mas vários correspondendo a diferentes inserções dos homens nas áreas da política, economia, da cultura, entre outras.
Para analisarmos os homens brasileiros, por exemplo, precisamos entender o conceito de papeis sexuais. Esses papéis remetem a um conjunto de valores e atitudes socialmente determinados, correspondem as representações e expectativas do ser homem e do ser mulher em todas as sociedades. Deste modo, observa-se uma polarização de gêneros e papeis destinados a eles.
Em nossa sociedade, sobre tudo direcionado para os homens baianos, já que a Bahia é o local a qual pertenço, posso desde já atribuir diversos tipos de masculinidades. No entanto considerarei como exemplo de masculinidade hegemônica o homem branco heterossexual.

Este tipo de homem tem necessidades de demonstrar as especificidades do seu gênero, dito isso, ele precisa provar a todo o momento o grupo masculino a qual pertence. Para isso analisarei uma festa de aniversário.
Nesta festa um carro possuía um som em alto volume tocando o estilo musical pagode. Já sobre este ponto, podemos analisar que para expor uma das qualidades masculinas é ter carro, o que mostra a sua condição financeira, afinal, o poder aquisitivo é um dos pré-requisitos de subordinação de uma classe a outra.

O estilo musical também exerce grande influencia. É comum ver homens rebaixando os carros e passeando com eles em baixa velocidade com o som em alto volume alto tocando pagode. É uma exibição mais que perfeita de um tipo de masculinidade, por quê? Ali ele demonstra a classe social por possuir um carro, sobretudo se este estiver caracterizado de modo diferente dos demais. A heterossexualidade, pois as músicas quase sempre fazem da mulher objeto sexual, portanto o portador do carro gosta de ouvir frases relacionadas principalmente a vagina da mulher.

O segundo ponto da festa é que as pessoas começam a dançar em volta do carro. Os homens frequentemente balançam o falo e colocam em posição elevada como se tivessem o reverenciando, quando falo em posição elevada não refirome-me a ereção, mas uma posição que dê destaque ao pênis. As mulheres precisam estar em volta. Pois é ali que se dá o processo de visualização da heterossexualidade. Os homens dançam atrás da mulheres, geralmente as danças podem ser relacionados como atos sexuais, mas que não entram em contato. Os movimentos são praticamente os mesmos. Ele mexe para frente e ela mexe para trás.


Outro ponto crucial são as bebidas alcoólicas, sobretudo a cerveja. Quanto mais cervejas o sujeito ingere mais virilidade ele apresenta perante o grupo, pois beber demais e não ficar bêbado é sinal de que o homem é forte e experiente. Já está acostumado com demasia e não se embebeda com facilidade, quanto os novatos ou aprendizes.

Veja que há toda uma simbologia na questão da masculinidade do homem branco, heterossexual baiano. São valores adquiridos desde a infância, reproduzidos pela TV e passados oralmente de homem para homem, afim de que a supremacia esteja sempre em ascensão.

É válido salientar que não são todos assim. Analisei um determinado grupo, em uma festa. Mas muitos homens se comportam dessa forma, e a partir dos estudos sobre masculinidade pude observar toda a gama simbológica incutida neles. Percebe-se que quatro ítens são esscenciais para a constituição dessa masculinidade: O falo, a heterossexualidade, a cor e a posição social. Esses aspectos podem ser vistos sobre diferentes formas em outras culturas que podem ser relacionadas a este tipo de masculinidade baiana, mas isso é assunto para um outro post.
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