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Saturday, August 8, 2009

A pessoa e o sexo

Uma amiga minha citou uma frase bastante interessante sobre alguém que ela conhece. Ela disse-me que sua amiga se apaixona pela pessoa e não pelo sexo. Não importa que seja homem ou mulher. O que importa é a pessoa.

Isso me fez lembrar das minhas dedicadas horas aos estudos de gênero, aprendendo que este nada mais é que uma construção sócio-cultural. Ser homem, ser mulher, ser o que mais exista, depende de onde moramos, qual cultura estamos inseridos. Alguém pode questionar, ou apenas falar que a partir do sexo sabemos quem é homem ou quem é mulher. Eu responderia concordando com o fato dos sexos biologicamente e esteticamente visíveis serem diferentes, mas nunca concordaria com o fato de a partir da biologia você denominar o que eu vou ser ou o que sou. Seria reduzir demais o ser humano ao sexo, a natureza. Somos complexos, e a complexidade se faz em todos os sentidos. Uma mulher indiana jamais será como uma mulher brasileira, assim como um homem português não será igual ao homem chinês. Ás vezes, características típicas de "feminilidade" numa cultura, podem ser de "masculinidade" em outra. Tudo varia de acordo com o lugar. Então como definir uma categoria universal de homem e mulher? Impossível. A não ser que fiquemos restringidos ao sexo, o que não concordo.

Mas voltando a frase da minha amiga: “Gosto da pessoa e não importa o sexo”, nota-se uma simbologia incutida nessa frase. Percebemos que o gênero ou sexo são desprezíveis na arte do amor. Quando gostamos de alguém, somos encantados pela personalidade da pessoa, se ela tem afinidade conosco, se ela gosta das mesmas coisas que nos interessamos, se freqüenta os mesmos lugares, se sabe conversar, pouco importa o sexo. Antes que os preconceituosos de plantão comecem atirar pedras, vejam que falei gostar de uma pessoa. Gostar, podemos gostar de qualquer um, não? Se ela nos faz bem tornamo-nos amigos. Se nos faz bem demais, e existe uma atração somos levados ao campo da paixão física e sentimental. Porém, enfrentamos uma barreira toda vez que gostamos de alguém. Precisamos observar se a pessoa é do sexo oposto, ao contrário somos proibidos de amá-la em outro nível. Algumas pessoas conseguem resistir, assumem o preconceito e por mais que amem não enfrentam o desafio. Outras, não conseguem, e se entregam de corpo e alma a pessoa desejada e não ao sexo, afinal, quando queremos a companhia de alguém prezamos pelo amor, carinho e afinidades e não pela biologia.

Quando falo de sexo, refiro-me aos órgãos genitais e não ao ato de fazer sexo.

Acredito que exista prazer de todas as formas, e que podem ser encontradas no mesmo sexo ou não. Julgar o amor pelo campo biológico aí sim é racionalizar demais algo destituído de tanto raciocínio que é o amor.
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