
Desde que me entendo como feminista vejo o mundo de outra forma. Tudo é muito sofrido para mim, não dá para ouvir um sussurro preconceituoso e ficar contente, ou simplesmente fingir que não aconteceu.
No último feriado de 7 de setembro viajei. Fui para Itacaré, Camumu e Barra Grande, algumas cidades de grande beleza baiana. A cor do paraíso já fala por si só. O azul do mar cristalino, o verde da natureza fez-me delirar e ficar extremamente pensativa. Analiso situações passadas, penso no presente, no futuro. E tudo gira em torno de como melhorar o mundo. Parece um pouco utópico, geralmente as pessoas preferem esquecer que as nossas vidas não são tão belas assim. Optam pela alienação. Eu sinceramente, fico triste, principalmente de ver indivíduos super-esclarecidos tentando se converter ao mundo da “alegria”.

Já me peguei sonhando com essas inquietações e acordando desesperada. Por que? Ora, a transformação é necessária. Não dá para ficar feliz com uma pessoa que está próxima a você e quanto mais se discorre sobre o assunto parece que menos se faz entender. Eu não quero que ninguém concorde com os meus pensamentos, mas que pelo menos tenha argumentos plausíveis, mas não, a todo o momento vejo gente querendo me calar com uma chuva de preconceito camuflado, principalmente através da música, que como algumas vezes já mencionei, é através da forma de humor e descontração que se transmite o que se quer, com plena aceitação.
Como já disse alguém por aí : “Ser burro é diferente de ignorante.
o ignorante não sabe porque não teve acesso ao conhecimento até o momento.

O burro é aquele que não sabe, não quer aprender e ainda acha que já sabe tudo”. Então, para mim esse processo de regressão intelectual é complicado. E me deixa muito abalada. É terrível ter de conviver com, por exemplo, o pagode perto de mim. A vontade que tenho é de ir embora para um lugar distante disso tudo. Sei que em outros lugares existe preconceito, que as mulheres não estão livres disso, que é difícil combater, mas estamos na luta. O problema é quando você conversa com uma pessoa, expõem seus pensamentos e essa pessoa continua tentando te converter ao machismo, isso pra mim é ridículo.
Por isso, ás vezes, me bate uma vontade de largar tudo, fugir da Bahia, ou talvez do Brasil, procurar um canto, pessoas que tem pensamentos próximos ao meu, porque o bom da vida é também conversar, e não ficar falando besteira, claro que tem o momento de descontração, ninguém é 100% sério, mas há vários tipos de humor, e o preconceituoso, no meu caso, não é o mais digno de prosa.
Sim, isso foi um desabafo bem grande, eu fico chateadérrima com algumas coisas que vejo. E o mais complicado é quando as pessoas não entendem o meu silêncio ou a minha indignação e pensam que é mau humor.