É claro que quando os direitos da mulher estão em discussão quase nenhum dos veículos de comunicação leva a sério o assunto.
Eu estava em Salvador, gostaria de ter participado do evento, mas não sabia data, local e horário.
Engraçado que logo antes de aparecer a notinha, tem um espaço enorme destinado a Antônio Imbassahy, ex-prefeito de Salvador, para criticar o direito da mulher que seria primordial, afinal, os dados mostram que de janeiro de 2007 a agosto de 2008, cerca de 32 mil mulheres foram atendidas na rede pública de saúde baiana devido a complicações após serem submetidas ao aborto clandestino.
O ex-prefeito fala de direito a vida, que é necessário uma avaliação ética do aborto, mas em nenhum momento coloca argumentos que sustentem de fato a sua posição. Apenas citar a frase “direito a vida” não mostra que continuar com o aborto sendo uma prática ilegal tudo esteja resolvido.
É preciso pensar nessas pobres mulheres que cometem atrocidades a si mesma quando realizam o aborto clandestino. Não é só o filho que tem direito a vida, senhor ex-prefeito, mas também as mulheres, as mães. Se elas não desejam não precisam ter, e não precisam morrer para pausar uma gravidez.
O aborto existe, e de maneira legalizada muitas vidas poderiam ter sido salvas. Ou será que vamos ficar na ingenuidade de pensar que com essas publicações contra a prática do aborto as mulheres um dia vão deixar de realiza-lo? Óbvio que não. E no final da história as mulheres mais prejudicadas são as que não tem condições financeiras para freqüentar um hospital de qualidade, pois como sabemos a saúde pública não só baiana como a brasileira anda precária.