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Wednesday, September 9, 2009

Mulheres Escalpeladas


Hoje o assunto é escalpelamento. Certamente, assim como eu, vocês devem ter lido essa palavra duas ou mais vezes para entender o que ela quer dizer, mesmo assim acho que ainda deve estar em dúvida sobre o real significado.




Enquanto estava visitando o site da revista TPM, achei uma matéria curiosa sobre escalpelamento, como tudo que envolve o universo das mulheres faz parte do meu interesse, acabei lendo todo o conteúdo e achando importante divulgar também o que essas mulheres passam.


No Macapá moças tiveram seus rostos transformados depois de terem enroscado o cabelo no motor de barcos de pescaria. Parece um fato bizarro, mas faz parte de uma realidade freqüente que transforma a vida de quem passa por esse desastre. Elas são vítimas do escalpelamento.


Como todos sabem, o principal papel da mulher em nossa sociedade é ter a beleza padrão divulgada pelos meios de comunicação. Aquele tipo ideal, branca, magra e bem maquiada. Quando uma dessas características é alterada a mulher passa por um processo de repulsão perante a sociedade. Não apenas sofrem preconceito de homens como também das próprias mulheres. E é aí que essas moças passam de um problema físico para o território psicológico.



Quando seus cabelos enroscam no motor, algumas perdem apenas parte do cabelo; outras vezes, todo o couro cabeludo, e membros, como as orelhas, são decapitados. Sobre a dor do impacto, segundo a revista TPM, as vítimas não sabem dizer, pois o choque é tão grande que algumas apagam nessa hora. O importante fixar é que no final as mulheres permanecem com alguma deformação



Como o tratamento cirúrgico é caro, muitas ficam com cicatrizes para o resto da vida. Assistindo alguns depoimentos, vi mulheres perturbadas porque diziam que quando passavam em ambiente público, as pessoas ficavam olhando-as de maneira estranha. Outras, ainda, não saiam mais de casa com medo dos olhares que ás vezes machuca mais que as palavras. Imaginem, então, o sofrimento dessas mulheres, que ficam enclausuradas por causa da beleza? Elas passam a não acreditar que podem arrumar namorado, se sentirem bonitas ou serem aceitas pela sociedade. Sem contar os problemas físicos que desenvolvem, como uma dor de cabeça intensa cada vez que molham a cabeça.


Na reportagem, que vocês podem assistir aqui, cinco mulheres foram entrevistadas. Estas já tiveram um amparo psicológico, e hoje conseguem sair, trabalhar, se divertir e enfrentam o constrangimento de uma outra maneira. Elas não se calam. Usam perucas, contas suas histórias sem medo e vergonha, afinal, foram vítimas de um acidente.



Na região já existe a Associação de Mulheres Ribeirinhas Vítimas de Escalpelamento da Amazônia, com o apoio de Ester de Paula Araújo, secretária extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres do Amapá. A associação fundada por Maria do Socorro Damasceno, 27 anos, presidente do grupo, foi espalpelada aos 7, e, na ocasião, abandonada pelos pais num hospital, onde viveu até a adolescência.



A união dessas mulheres permite que haja um maior incentivo a reinserção no mercado de trabalho e também na superação do trauma.

Além de promover cursos, palestras e oficinas de perucas, a Associação devolveu a autoestima dessas mulheres. Hoje, elas namoram, frequentam lugares públicos e lutam para que casos como os seus deixem de existir. Uma grande vitória foi a implementação da Lei 11.970, de 6 de julho de 2009, que obriga os barcos a terem uma proteção no motor.



De acordo com a revista TPM, antes da associação, não havia registros oficiais sobre o número de escalpelamentos ocorridos – segundo a Agência Brasil, foram 244 casos entre 2003 e 2008. Mas, em 2008, duas pessoas foram acidentadas e, este ano, já ocorreram três casos no Amapá (com uma menina de 5 anos, uma adolescente e uma mulher de 22), segundo Socorro. O governo do Amapá lançou a campanha Um Barco Legal em agosto deste ano, mês de Enfrentamento do Escalpelamento.


















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