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Sunday, September 13, 2009

O parto prazeroso existe

Um pensamento.

Vergonha.
Será que posso?


Gozar durante o parto.



Realmente estranho. Sempre achei que parir fosse algo fora normal. Primeiro tenho que lhes dizer que nunca tive filhos, e que as conversas sobre o ato de parir não são nada agradáveis. Dor, agonia, e sofrimento são as palavras mais pronunciadas por essas mulheres experientes, fazendo me crer que ter filhos não vale a pena. (Já deu para perceber que eu tenho medo de fortes emoções, não é?).

No entanto, vasculhando pela internet reportagens a cerca do tema mulher, me deparo com uma relação tabu: maternidade x sexualidade.

Qual mulher gosta de comentar que sente prazer ao está amamentando? Não. Isso é inconcebível, afinal trata-se de um filho. Mas no ato sexual isso não existe? E não é excitante para a mulher?
O problema é que é vergonhoso para sociedade a mãe admitir que sente essa sensação propiciada pelos movimentos bucais de seu filho, num ato em que todos consideram como a principal atividade materna. E não apenas isso, a nossa cultura condena o incesto, pensar a relação mãe x filho requer cuidado, demonstrar um afeto, digamos, mais saliente, não condiz com a função.





O fato é que as mulheres sentem. É verdade, muitas já deram depoimentos afirmando o prazer na hora da amamentação, mas pasmem, outra fonte de prazer é durante o parto.
Dor, agonia? Esqueça. Algumas mulheres contaram a revista TPM, que o maior gozo de toda a sua vida foi no exato momento do parto.
Tudo acontece porque o nosso organismo possui um sistema reprodutivo perfeitamente organizado para a manutenção da espécie, garantindo que gestar e parir sejam experiências seguras, ou até mesmo prazerosas.
Eu, com a minha curiosidade aguçada, fui perguntar a minha mãe se o fato é realmente verdadeiro. Ela riu de mim. Perguntou-me de onde eu tirei essa idéia e ficou chocada com a questão. O seu depoimento foi o mesmo de outras mulheres que já ouvi descrever o parto. Dor, dor e dor.
O problema é que nem todas as mulheres sentem esse orgasmo fascinante. Aliás, um número pequeno pode ter acesso a esse prazer. Para senti-lo é preciso a combinação de um ambiente tranqüilo, concentração e ausência de analgésicos.
Mas vamos procurar a nossa caixinha de lembranças e voltar no tempo em algumas ocasiões que fomos à maternidade e hospitais. Ficou alguma impressão de tranqüilidade por aí? Por aqui também não. Geralmente esses lugares estão sempre agitados. A mulher ao parir, está rodeada de pessoas, médicos, cirurgiões, enfermeiros, é constrangedor estar com as pernas abertas na frente de pessoas que vocês nunca viram, não acham? Essa combinação de vergonha, dor, agitação diminui e muito as chances de uma mulher gozar ao parir.
Então, se você quer gozar, não escolha um desses lugares. No documentário, Orgasmic Birth que rodou vários festivais de cinema, as mulheres estão em casa, na banheira, num lugar bem aconchegante para o fato acontecer. Há uma cena, em que a mulher está na banheira, sendo massageada pelo marido, enquanto sente as dores. Dá para perceber em seu rosto agonia, mas não de dor, de prazer. E na hora em que ela expele o neném sua expressão é mais fantástica ainda, um gozo totalmente real.



Assistam aqui! Está em inglês mas vale a pena, as cenas são lindas.
Difícil de acreditar, hein? Mas durante a entrevista a matéria “Gozar e Parir” da revista TPM, o ginecologista Carlos Czeresniam ginecologista obstetra que acompanha partos há 35 anos, afirmou que “os movimentos de distensão e contração do períneo no momento em que o bebê vai sair são muito semelhantes à sensação do orgasmo. E o cérebro interpreta esses estímulos neurais com respostas de prazer. O parto e o orgasmo percorrem o mesmo caminho neurológico”.
Pois é. Eu ainda acho meio utópico tudo isso. Orgasmo e parto, realmente era uma relação que nunca se passou pela minha mente. No entanto, eu consegui ver um lado positivo do parto que nunca antes ninguém tinha tocado esse sentimento em mim. Mas calma, isso não quer dizer que eu queira ter filhos, ainda continuo com o mesmo pensamento de antes, mas enxergando o parto de outro ponto de vista.


Para ler a matéria da revista TPM na íntegra clique aqui!
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