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Tuesday, October 6, 2009

Comemore o futuro mas não esqueça do presente

A notícia que o Rio de Janeiro seria sede das Olimpíadas em 2016 colocou em chamas aquele velho nacionalismo brasileiro. Nacionalismo este que surge por meio do reconhecimento de uma nação através do esporte. Pelo menos esse é o discurso elaborado pelos nossos maiores transmissores de informação, afinal, nem todo brasileiro é fanático por futebol ou vive de samba por aí.


Lula chorando, longos minutos de matéria apontando o quanto o Brasil saiu vitorioso, Pelé em evidência, a primeira Olimpíada na América do Sul, tudo isso e mais umas pitadinhas de emoção comoveram milhares de espectadores esquecendo, portanto alguns problemas freqüentes envolvendo o Rio de Janeiro.

O crime, a falta de segurança, falhas no sistema de saúde, corrupção, tudo isso é posto de lado, parece que o senso crítico das pessoas evapora em um segundo. Não ouvi comentários próximos que fossem contra essa nova sede. Até porque não é preciso ser do contra. No entanto, é necessário apontar os inúmeros defeitos que a cidade tem e que precisam ser reestruturados até os próximos anos.

Uma sede olímpica implica um cuidado maior com o cidadão. Virão pessoas de vários lugares do mundo, por isso, a cidade tem que ter uma estrutura adequada para suportar todos esses atletas e turistas. A vila olímpica está nos planos arquitetônicos, mas e quanto à segurança? Creio que o governo faça todo um planejamento para que nenhuma surpresa venha a ser desagrado de competições, mas será que é fácil lhe dar com o crime que assola o país, e principalmente quando se trata de uma das cidades mais violentas do Brasil?

Em 2007, quando o Rio de Janeiro foi sede do Pan foram mil e uma promessas feitas aos cariocas. Expansão da linha de metrô, pista de atletismo, parque aquático, velódromo e outros componentes de uma infra-estrutura olímpica que só ficaram nos desenhos de papel, salvo alguns dos poucos que foram construídos que hoje estão abandonados como é o caso da Marina de Glória e alguns elefantes brancos enfeitando a cidade, porque utilidade mesmo não há.

Alguns depoimentos de pessoas que viveram esse momento apontam falta de organização. Em muitas comunidades do orkut é possível encontrar indivíduos indignados com esse novo evento que mexe com a estrutura da cidade. Queixas descrevendo o engarrafamento que toma parte dos lugares é mais do que comum. E olha que foi só o Pan...Imagine nas Olimpíadas?

A segurança feita na época não continuou depois. Então me expliquem, investir milhões num evento para que o Brasil depois não aproveite o que foi construído não é algo a ser chamado de desperdício de dinheiro público? Ou melhor, uso indevido do mesmo? Por que esse investimento não pode ser aplicado em áreas mais oportunas como saúde, educação e segurança?

Ás vezes eu acho que Lula que fazer uma propaganda do Brasil que não se aproxima da realidade. Chega até ser ridículo ver o nosso país como sede de uma olimpíada, gastando rios de dinheiro enquanto há atletas sem patrocínio no mesmo lugar.

Sem falar daquele velho mosquitinho que não acabou sua devastação no Rio. Sim meu povo, a dengue continua. Não é porque a Globo e outras emissoras deixaram de falar da doença que ela sumiu do mapa não. Continua lá, matando muitas pessoas. Bom, mas essa parece já ser uma das características eminente do Rio de Janeiro, que por sinal, continua lindo.

Cabe a imprensa fazer o seu papel de expositor de problemas à sociedade. Não basta apoiar um evento e não mostrar os outros lados. As Olimpíadas podem ser um grande salto para um país que até pouco tempo atrás era visto como “João vai com os outros”, no entanto, não é só de exibicionismo que vive uma nação. É preciso unir o útil ao agradável também. Como o mesmo país que tem poder de emprestar dinheiro ao FMI pode ser o mesmo detentor de tantos problemas sociais? Parece que há um certo desvio no caminho que o dinheiro percorre. Essa trajetória precisa ser mudada e para isso é necessário um alerta geral.

O jornalista Luiz Weis publicou um texto interessante no Observatório de Imprensa, ele sugere uma agenda por meio dos jornalistas para que esses cumpram daqui até 2016 pautas que mostrem aos brasileiros e consequentemente aos órgãos públicos o verdadeiro Rio de Janeiro a fim de medidas a serem tomadas para só então a cidade ser digna de uma olimpíada.

Seria uma verdadeira operação. Mas não fica só entre nós da área não, você cidadão e blogueiro pode estar antenado, associando as matérias que voltarão a surgir ás olimpíadas e talvez assim a gente possa chamar atenção do senso crítico das pessoas. O que já é muito.

Quem sabe a chama Olímpica represente um outro momento para o nosso país? Assim aguardemos.

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