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Thursday, February 18, 2010

Pode falar que sou chata mas não vou rir de preconceitos

Depois de um longo tempo sem escrever neste blog, retomo as atividades com um desabafo, um grito de socorro, uma tentativa de que pessoas me entendam. Talvez eu não seja tão boa no discurso oral, espero que a escrita me salve.

Por que digo isso tudo? Por que esta indignação?

Tudo começou quando adotei uma postura radical as formas de preconceitos, principalmente sexismo, racismo e homofobia.

Se falam em pagode eu prefiro me calar, se a piada do momento é sobre loiras eu opto por não ouvir, se o assunto é BBB10 atrelado a comentários homofóbicos eu não quero participar.

As pessoas que me conhecem num primeiro momento acham que sou imatura, besta. Dão-me conselhos para desistir e viver a vida numa simples alegria. Antigas feministas disseram que com o tempo a concepção de vida muda e esses radicalismos são deixados de lado. No entanto eu prefiro acreditar numa forma de protesto que permaneça até que os comportamentos mudem, até que a felicidade d@ outr@, seja como el@ for, seja respeitada. É aquela história do beija-flor que está sozinho na floresta em incêndio levando gotinhas de água no seu bico tentando apagar o fogo, e aparece um leão que o pergunta – Vamos beija-flor, saia daí, você acha que vai apagar o fogo com essa quantidade de água? – E o beija-flor responde – Pelo menos eu sei que estou fazendo a minha parte. Moral da história, se todos refletissem um pouco sobre o mundo em que vivem também gostariam de contribuir com certo radicalismo para o bem da humanidade.


Certa vez li um texto chamado Sincericídio, do escritor Ferréz, em que ele dizia que as pessoas estão vivendo numa época de tanta alienação que aquele que tenta ser sincero em explicar o que de fato ocorre é tido como contestador, crítico, chato, amargurado. Tenho certeza que muitos acham isso de mim. Creio que não saiba me expressar tanto quanto gostaria, ás vezes cansa conversar com quem tem argumentos preconceituosos e não entende nada do que você fala. Questões relacionadas a gênero então...nossa! Nunca vi assunto tão difícil de ser debatido com alguém desprovido de leituras.

Outra percepção que tenho é a quantidade de amigos que vão sumindo na nossa vida. Na verdade eles não são amigos, são curtidores de momento. Se a decisão é levar o mundo a sério e protestar contra formas de submissão as pessoas te abandonam, te chamam de louca, não querem conviver ao seu lado. Eu não entendo. Eu sei também curtir, sorrir, brincar, mas não preciso fazer nada disso atrelado a campanhas contra outras pessoas. Eu posso ouvir uma piada e rir muito se ela não menciona negros, mulheres, homossexuais, etc e tal. Tenho minhas formas de divertimento e sei levar a vida muito bem sem gozar da cara de ninguém. O problema é que as pessoas só conseguem se divertir quando ridicularizam alguém. E isso para mim não é diversão.

Alguém me disse que sentia nojo se ver um gay com gestos femininos e explicou-me que o homossexualismo era um defeito. Eu lhe perguntei se sentia nojo também das pessoas com deficiência física, ele me disse que não. Então perguntei por que do deficiente ele não sai fazendo gozação por aí, mas do homossexual ele faz se ambos ele considera como um defeito. A resposta até hoje ele não conseguiu me dizer.

O preconceito é propagado de uma forma que a gente nem percebe, sejam nas piadas, nos gestos, numa história ou num modo de olhar. Mulheres sexistas, negros racistas, gays homofóbicos existem, mas tudo porque não há uma compreensão da situação que vivem, o conformismo passou a fazer parte da vida, e pensar se tornou algo dificílimo na atualidade.

Eu choro, muitas vezes eu choro por não conseguir mudar alguém que permanece assim. Eu sei que as pessoas têm suas opiniões, mas geralmente são reproduções midiáticas que não passam por um processo de reflexão. Não há argumentos, não há nada que me prove que fazer o outro infeliz e ridiculariza-lo seja uma atitude humana.

E se pensam que vou mudar a forma como penso, esperem deitados, pois a luta continua.
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