English French German Spain Italian Dutch

Russian Brazil Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Translate Widget by Google

Tuesday, March 2, 2010

As diferenças de gênero na hora do esporte são expressivas

Nos tempos de colégio existe uma disciplina obrigatória chamada Educação Física que expõem com mais clareza as diferenças de gênero em nossa sociedade.
Lembro que quando era mais nova adorava jogar vôlei, mas as turmas eram divididas entre sexos (masculino e feminino). No meu colégio, o desempenho das meninas não era muito legal, e a forma como os professores as ensinavam a praticar o esporte ainda as deixavam menos interessadas, afinal, muitas estavam ali apenas para não perder o ano letivo por falta e somando esse fato com professores que não acreditavam no seu potencial e que não faziam questão de ensinar o esporte como ele é, claro que ninguém iria querer jogar, não é?
            Tem uma opção que vem sendo bem difundida no meio acadêmico, principalmente para as meninas, que é a matrícula dessas garotas em locais de malhação. Veja como é simples, você não precisa enfrentar os esportes violentos e ainda vai praticar algo que deixa o seu corpo modelado, até porque mulher tem a obrigação de ser gostosa. Ahh...fala sério, isso é deprimente.
            Fico observando como o esporte não é incentivado para as garotas. Eu sempre participei tanto das turmas femininas quanto das masculinas. Minha mãe sempre ficava preocupada achando que eu iria me machucar, afinal, na cabeça de muitos a mulher é um sexo frágil, se desmancha com qualquer besteira, e deve optar por atividades tidas como “femininas”, tipo costura, crochê, artes, pintura, piano e por aí vai.
            Felizmente eu nunca tive esse pensamento, mesmo quando ainda nem sabia o que era feminismo, e jogava com os meninos no colégio. Aí vem a fase difícil, eu não podia errar nos treinos. Primeiro porque eu estava num espaço que não era feminino, segundo porque tinha que mostrar que se estava ali era porque chegava num nível masculino de potencial, portanto tinha que mostrar minhas qualidades, e terceiro errar não era bom sinal, até porque eu tinha que ser mais que um humano para estar ali. Agora se os meninos errassem isso não era problema, eles podiam.
            Tem dias que a gente não está muito bem para jogar. Eu mesma tinha aqueles dias que não acertava uma dentro. Esses dias eram a minha crucificação. O castigo era não jogar. Como sempre tinha alunos a mais, eu era colocada no banco de reserva até que meu desempenho em outro dia se mostrasse melhor.
            Outro fato curioso é o cuidado dos meninos. Sempre que uma menina estava no jogo, eles não podiam cortar com força, pois esse ato poderia causar algum desastre. E aí entra mais uma vez as questões de gênero que a ciência diz provar. Dizem que a mulher é fisicamente mais frágil que o homem, e por isso as atividades físicas são separadas. No entanto, se formos realmente analisar os fatos no dia-a-dia veremos que varias meninas praticam esportes junto com meninos e eles se entendem muito bem, sem restrições físicas. Existem, claro, essas peculiaridades do tipo meninos deixando as meninas mais a vontade, mas para mim isso sempre foi desculpa e medo de não conseguir nos vencer. E se isso acontecesse era motivo de gozação entre os meninos. E a frase famosa era proferida: “Perdeu para uma mulherzinha?!”.
           Outro fato curioso no que diz respeito ao esporte é quando algum menino simplesmente não se interessa por nada, principalmente no nosso país, por futebol. Há pessoas que realmente não gostam de esportes e isso é claro. No entanto, esse não gostar é um problema para os homens porque sua masculinidade é posta em jogo. Homem que não se interessa por futebol não é homem, alguns dizem. E o mesmo problema quando colocado na parte feminina gera controvérsias a respeito da sua “feminilidade”, mas perder essas características não é um problema para a menina, até porque ela não precisa provar a todo o momento que é menina. O caso é quando os adjetivos masculinos começam a fazer parte da descrição de alguma mulher, aí sim o problema é gerado.       
            Perceba como o corpo fala. A gente não precisa dizer muito, basta atentar para os nossos desejos, a nossa forma de andar, de jogar, tudo isso é avaliado, principalmente num colégio onde há constantemente pessoas regulando o seu jeito e apontando maneiras de se comportar que são tidas como normais para um determinado gênero. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...