Primeira vez no trânsito. Segurar o volante, prestar atenção. Dar satisfação aos outros. Vou á direita, depois à esquerda, setinha ligada para não deixar ninguém na mão.
A sensação é incrível. Controle, manter controle sobre o carro e sobre si mesmo.
As pessoas falam, falam, falam. Mas eu não consigo ouvir, só consigo ver e tentar não prejudicar ninguém. Mas nem todos pensam assim, um rapaz na moto, em alta velocidade quase se choca contra uma aventureira num carro de auto-escola.
Eu estou aprendendo, mas aprender é sinônimo de gozação também. A faixa amarela pintada no carro e o nome auto-escola é um sinal verde para vocabulários desagradáveis.
Eu não me intimido, continuo contra o vento...
Eis que o instrutor fala “Segue pelo viaduto”.
Eu não acredito, alguém realmente confia em mim. Não, eu confio em mim também, eu posso. E a sensação, indescritível.
Nesses dias de aprendizado percebi que a atenção faz diferença. Aguçar todos os sentidos e ver por você e pelos outros também faz do trânsito algo de extrema responsabilidade.
Não, não é como nos parque, um carrinho de bate-bate com liberdade total. Não há liberdade, porque há vida, e a vida precisa ser percebida com valor total.
Se tantos morrem no trânsito, há algo a fazer, há que se convencer que aquele não é um espaço de bate-bate, é um território de vida.
E a vida é o que mais importa nesse jogo de sensações