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Sunday, May 2, 2010

Sensação em quatro rodas

Primeira vez no trânsito. Segurar o volante, prestar atenção. Dar satisfação aos outros. Vou á direita, depois à esquerda, setinha ligada para não deixar ninguém na mão.

A sensação é incrível. Controle, manter  controle sobre o carro e sobre si mesmo.

As pessoas falam, falam, falam. Mas eu não consigo ouvir, só consigo ver e tentar não prejudicar ninguém. Mas nem todos pensam assim, um rapaz na moto, em alta velocidade quase se choca contra uma aventureira num carro de auto-escola.

Eu estou aprendendo, mas aprender é sinônimo de gozação também. A faixa amarela pintada no carro e o nome auto-escola é um sinal verde para vocabulários desagradáveis.

Eu não me intimido, continuo contra o vento...
Eis que o instrutor fala “Segue pelo viaduto”.

Eu não acredito, alguém realmente confia em mim. Não, eu confio em mim também, eu posso. E a sensação, indescritível.
Nesses dias de aprendizado percebi que a atenção faz diferença. Aguçar todos os sentidos e ver por você e pelos outros também faz do trânsito algo de extrema responsabilidade. 

Não, não é como nos parque, um carrinho de bate-bate com liberdade total. Não há liberdade, porque há vida, e a vida precisa ser percebida com valor total. 

Se tantos morrem no trânsito, há algo a fazer, há que se convencer que aquele não é um espaço de bate-bate, é um território de vida. 

E a vida é o que mais importa nesse jogo de sensações 
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