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Saturday, June 11, 2011

A imortalidade e a morte

Todos vamos morrer, uma hora ou outra. E todos nós sabemos disso.
E também sabemos que todas as pessoas à nossa volta vão tomar exatamente o mesmo caminho que nós, assim como todas as outras pessoas do mundo. Ninguém está livre da morte, e ninguém é capaz de escapar dela. Ela é irredutível e absoluta. Há quem diga que, a partir do momento em que nascemos, vamos morrendo pouco a pouco.
Fato é que existem muitas e muitas teorias a respeito da morte. Impossível dizer qual é a certa. Quem sabe nenhuma seja certa. A única maneira de descobrir como as coisas se passam depois que a vida se extingue em nosso corpo é efetivamente morrendo. E ninguém está disposto a pagar esse preço.
Ainda assim, a morte existe. Sempre existiu. Pessoas morrem o tempo todo, mas, em geral, não percebemos. É algo externo a nós, algo incapaz de nos atingir, de maneira que for. De alguma forma, parece que nunca vai acontecer conosco, até que acontece e você descobre que perdeu seu chão. E ninguém nunca será capaz de se preparar ou preparar aos outros suficientemente para o momento em que acontece.
Somente uma pessoa que já passou por isso (e todos vamos, no final das contas, passar) consegue entender como é o sentimento de vazio que existe no momento em que um ente querido tem sua vida terminada como uma flama trêmula de uma vela sendo apagada com a suave brisa da morte. É algo impossível de ser descrito. É como se um pedaço seu estivesse sendo retirado de dentro de si, e não há maneira de trazer esse pedaço seu de volta. Apenas uma pessoa é capaz de fazê-lo, mas isso não vai acontecer.
Mas voltamos à questão inicial... o quê acontece quando uma pessoa morre? Independentemente de religiões, existem muitas e muitas explicações para a morte. O corpo é apenas uma prisão e, quando morremos, as barras que nos mantém presos são desfeitas e permitem que nossos espíritos sejam livres, soltos? Atravessamos um túnel escuro em busca de uma forte luz branca que vem do final dele? Vamos parar em uma espécie de paraíso, ou inferno, ou nossas almas são julgadas em algum tipo de purgatório?
Não sei. Ninguém sabe.
Ainda assim, gosto de imaginar que, quando uma pessoa morre, sua alma desprende-se lentamente de seu corpo e paira sobre ele por alguns momentos. E então, ela se desintegra em milhões de milhões de pequenos pedaços, e eles se espalham pelo mundo inteiro. E, no final, a alma dessa pessoa estará em todos os lugares, ao mesmo tempo. Átomos dela estarão nas antenas de pequenas formigas transmitindo feromônios; estarão nas ranhuras de uma pequena folha verde, ou de uma folha de plátano descendo no ar suavemente no outono. Partes dela estarão na casca de cada árvore de uma gigantesca floresta, e estará no ar que respiramos, presente, conosco, o tempo inteiro. E estarão, também, dentro de nós, e, de alguma maneira, essas pequenas partículas quem sabe sejam capazes de preencher o vazio que nos toma.
De qualquer forma, em algum momento, todos vamos passar por isso. Todos seremos partes de tudo, e, apesar de sentirmos pena das pessoas que vamos deixar para trás, ficaremos felizes de, de uma forma ou outra, podermos estar junto delas.
Ninguém pode ficar entre nós eternamente, mas existem pessoas que são imortais, aqui:
Em nossos corações.
E aqui elas hão de viver para sempre.
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Texto feito em homenagem a meu avô, Arno Brust.
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