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Wednesday, July 20, 2011

Rafinha Bastos é intimado a depor sobre incitação e apologia ao estupro


O comediante Rafinha Bastos do programa CQC foi intimado a depor sobre incitação ao estupro depois de comentar em entrevista a revista Rolling Stones que mulheres feias deveriam agradecer o estupro e quem cometeu o ato deveria receber um abraço.

O caso levado à justiça já é o primeiro passo para que piadas preconceituosas comecem a ser censuradas em nosso país. O tipo de humor que muitas pessoas costumam achar engraçado só reforça formas de estereótipos e produz a violência.

É através do riso que os piores preconceitos são disseminados, e como são levados na graça não há raciocínio nem reflexão por parte de quem ouve, se não for um militante atento, óbvio.  

Certa vez, fiz uma viagem a Fortaleza, o local é o pólo exportador de comediantes para todo o país. Existem inúmeras casas de humor e como turista, fui visitar uma delas. Não lembro o nome dos artistas que estavam apresentando-se, mas piadas de sogra, loira, gordos e gays dominaram o evento.


O falatório não é restrito ao palco, os comediantes “brincam” também com o público, humilhando as pessoas de todas as formas possíveis. Quem está de longe dá ótimas gargalhadas, mas quando o alvo é a própria pessoa, percebe-se o famoso sorriso amarelo.

Acredito em formas de humor que não seja preciso humilhar os outros. No caso de Rafinha, a brincadeira foi longe demais, até porque o uso do Twitter foi realizado de forma benéfica quando milhares de pessoas ficaram horrorizadas com a declaração do artista.

Blogs feministas posicionaram-se contra o comediante e o próprio movimento feminista brasileiro escreveu uma nota de repúdio ao ato. Afinal, como alguém pode dizer que estupro é algo que deve ser agradecido?

Realmente, a pessoa não tem noção do que é violência sexual. Nós mulheres, somos reprimidas desde crianças quando o assunto é sexo. Existe o cuidado com a virgindade, a pressão pelo casamento, regras culturais que são impostas desde muito cedo.

Portanto, a violência do estupro não é só física, mexe com várias situações psicologias da mulher. Nenhum comediante tem o direito de incitar e elogiar o estupro, isso é triste, vergonhoso e, sobretudo prejudicial.

Quantas pessoas se inspiram em Rafinha Bastos? Quantos não o admiram? Se ele posiciona-se desta forma, é claro que muitos homens vão concordar e achar certo.  

Ah claro, comentários como “hoje em dia não se pode nem brincar” vão surgir. Mas felizmente, hoje as pessoas estão prestando atenção nos humoristas, no conteúdo das piadas. O bullying é assunto debatido porque já se constatou o quanto as crianças são prejudicadas  com as formas de insultos e se tornam violentas com isso.

A maior parte das piadas brasileiras é também um tipo de bullying, porém direcionada a adultos. Mas humilhar não é engraçado. E quando as pessoas perceberem isso, com certeza novas piadas vão surgir, afinal não estou aqui me posicionando contra esta forma de arte, mas criticando e desejando que conteúdos outros sejam abordados e não a humilhação.
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