Uma adolescente de 16 anos, em pleno vapor hormonal, conversa com a mãe sobre o início de sua sexualidade. Diferentemente do que cotidiano, o diálogo entre as duas aborda o assunto de maneira singular.
- Quero conversar contigo sobre algo vergonhoso, porém divertido.
- O que minha filha?
- Sabe aquela última festa que fui com as minhas amigas? Descobri que adoro beijar. Conheci um garoto super inteligente, que adora conversar e passamos alguns momentos na boate discutindo poesia.
- O que tem de vergonhoso nisso minha filha? Foi o seu primeiro beijo?
- Sim mãe, mas não parou por aí. Eu não “fiquei” só com o Matheus (assim chamava-se o garoto). Jorge, Flávio, Alexandre, Paulo, Rogério, Liedson, Roberto e alguns que eu nem perguntei o nome foram alvo de beijos.
- Nossa filha, que disposição. Você sim é uma pegadora! Que orgulho! Já começou a adolescência bem! Isso é a vida, tem que curtir antes do desastre do casamento e experimentar de tudo.
- Não acredito que você está elogiando a minha atitude!
- Mas é claro. Veja o meu exemplo. Eu só beijei o seu pai, só transei com ele, não sei nem se é bom ruim e isto é óbvio, pois não tenho como comparar já que meu relacionamento sexual se restringiu a uma só pessoa.
E você tem a oportunidade de experimentar vários!
- Por um lado você está certa, mas tenho certeza que amanhã o colégio inteiro vai me chamar de “piriguete”!
- Ora filha, não há porque ligar para este termo, pelo contrário, você deveria se orgulhar, afinal toda piriguete tem liberdade, não é submissa e faz o que quiser sem precisar de permissão de homens ou adaptar-se a convenções machistas.
- Nossa, nunca tinha pensando assim. Amanhã mesmo farei uma camisa bordada com a frase: “piriguete com muito orgulho”.
- É assim que se fala. E além de beijos, você experimentou algo mais?
- Mãe, rolou umas mãos bobas e para falar a verdade a sensação foi boa. Senti um calor forte, algo anormal, mas priorizei a minha virgindade, afinal nem 18 anos tenho ainda.
- E desde quando existe manual de idade para o sexo? Está tudo errado. Filha, escute. Quando você sentir desejo deve provar o sabor e não ficar angustiada ou sentindo-se culpada por isso, ou pela idade. Não tem nada a ver. A primeira informação que você deve ter em mente é o uso da camisinha para prevenção de doenças e gravidez. Outro ponto importante é a escolha da pessoa. Não pode ser qualquer um, pois infelizmente vivemos numa sociedade machista onde certas restrições são impostas. Digo isso porque um rapaz, aparentemente bem vestido e bonito pode querer forçar algo que você não queira e cometer estupro.
- Então eu posso transar mesmo não tendo 18 anos?
- Claro meu bem, você poder fazer sexo quantas vezes quiser e com quantos homens optar, desde que se cuide. Mas a experiência é fundamental. Conheço tantas mulheres que casaram com homens incapazes de fazê-las felizes na cama. Tudo isso por falta de conhecimento.
- Mãe, jamais esperava ter essa conversa contigo!
- Minha filha, eu quero para você o que não pude ter, começando pela sexualidade. Há outros pontos que temos que debater, mas fica para outro dia. Sempre confie e em mim como uma amiga e não como um ser superior que controla suas ações.
- Eu tenho a melhor mãe do mundo!