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Thursday, October 13, 2011


Alta Roda nº 650/15 -13/10/2011



Fernando Calmon
Finalmente, teremos uma luta boa entre utilitários esporte (SUV, em inglês) de preço menor. Este subsegmento foi desbravado pela Ford com o EcoSport, em 2003, até hoje encastelado na liderança. No ano 2000, venderam-se apenas 13.600 unidades de apelo aventureiro – verdadeiro ou apenas sugestivo; em 2010, nada menos que 217.000 veículos, crescimento de 1.500% para o segmento inteiro, com preços entre R$ 50.000 e R$ 500.000.
A dificuldade de outros fabricantes era antecipar certas modificações no projeto básico de um veículo compacto, tração dianteira, de tal forma a permitir uma carroceria típica de utilitário com ares urbanos. A Renault, agora, vem com o Duster e será seguida por Chevrolet e Hyundai. O jipinho romeno Dacia, marca do grupo francês, lançado em março de 2010 na Europa, chega aqui apenas 19 meses depois. Fabricado em São José dos Pinhais (PR) tem índice de nacionalização inicial de 67%, mas chegará a 75%.
Uma equipe de mais 600 engenheiros no Brasil, além de um centro de desenho, implantou 774 alterações no projeto original. Em parte para amenizar o estilo meio rústico do modelo original e fazer melhorias internas, a exemplo do painel frontal e console de teto. O Duster utiliza a mesma arquitetura do Logan/Sandero, com distância entre-eixos generosa de 2,67 m e bastante espaço no banco traseiro. Os três modelos subverteram conceitos: custo de produção de compacto e tamanho de médio-compacto.
Aliás, preço é uma vantagem evidente. Partindo de R$ 50.900 (tração 4x2, motor 1,6 flex/115 cv), chega a R$ 64.600, curiosamente, igual para a versão 4x4, motor flex 2 litros/142 cv, câmbio manual de 6 marchas e para o 4x2, mesmo motor, câmbio automático de quatro marchas. O Duster não possui estepe externo – elogiável, como no Honda CR-V –, o que ajudou nos custos, peso, consumo de combustível e aerodinâmica. Há diminuição no volume do porta-malas, 4x2 (475 litros)  e 4x4 (400 litros), pois nessa o estepe fica na parte interna do assoalho.
Dinamicamente o motor mais fraco sofre um pouco para lidar com os mais de 1.200 kg. Mas apresenta bom comportamento em estradas asfaltadas, apesar de 21 cm de vão livre e altura total de 1,69 m. O câmbio, bem curto, aumenta o nível de ruído do motor.
Interessante a Renault ter optado por características marcantes para uso leve ou fora de estrada. Na versão 4x4 por demanda há bloqueio manual de 50% de tração em cada eixo. O carro vai bem em terra e atoleiros, ajudado pelo motor de 2 litros (agora com taxa de compressão alta de 11,2:1, ideal para etanol) e um câmbio manual de primeira curtíssima. Na versão 4x2, automática, o motor mais forte quase sussurra a 100 km/h constantes.
Os planos são de vender 2.500 unidades/mês, o que faria a Renault se aproximar de 6% de participação anual de mercado, já em 2012. Para tal, anunciou investimento de R$ 500 milhões a fim de aumentar a produção em 100.000 veículos/ano, na prática uma fábrica nova nas instalações atuais.
Carlos Ghosn, presidente da aliança Renault-Nissan, espera que em cinco anos a marca francesa tenha 8% do mercado e a japonesa – do alto de R$ 2,6 bilhões para unidade fabril nova em Resende (RJ) – alcance 5%.

RODA VIVA

Ford completou a linha que batizou de New Fiesta com a versão hatch. Importado do México, tem preço inicial de R$ 48.950 e chega a R$ 54.900 com sete airbags. Mais caro que outros compactos premium à venda, aposta no seu estilo – mais atraente do que o sedã –, no nível de acabamento e principalmente na qualidade dos materiais, como plástico macio no painel.
Conjunto motor-câmbio é o ponto alto dessa nova geração do Fiesta: direção elétrica bem calibrada, motor flex 1,6/115 cv e suspensões de acerto fino. Ford acredita que o poder aquisitivo em alta vai valorizar modelos mais elaborados, nos próximos anos. O hatch será produzido em Camaçari (BA), no final de 2012, mas o sedã poderá continuar vindo apenas do México.

Mercado em setembro caiu em relação a agosto por ter menos dois dias úteis. Porém, a média diária de vendas – 14.840 veículos de todos os tipos – não foi ruim: 4,2% a mais do que o mês anterior. No acumulado do ano, 2011 ainda supera 2010 em 7,2%. Sinalizações desconfortáveis (para 2012) são inadimplência em leve alta e índice de confiança em discreta baixa.

Cenário econômico mais difícil significa que a competição acirrada está segurando preços, independentemente do aumento de imposto para modelos de fora do Mercosul e México. Chinesas JAC e Chery confirmaram suas fábricas no Brasil, apesar de se queixarem do “protecionismo descabido”. Segundo Carlos Ghosn, nacionalização obrigatória na China é de 90% e no Brasil, 65%.

Jornal alemão de negócios Handelsblatt confirmou o que a coluna antecipou há dois meses: BMW terá fábrica no Brasil. Segundo a publicação, a ser instalada na Grande São Paulo e a anunciar em dezembro. Novo regime automobilístico exigirá investimentos de peso para maior conteúdo local.


PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon                                                                                                                               

Thursday, September 22, 2011

Fernando Calmon - PENSAMENTOS ALTERNATIVOS


Alta Roda nº 647/12


Fernando Calmon
O Salão do Automóvel de Frankfurt, o maior do mundo em área locada de exposição, inverteu o clima de pessimismo observado há dois anos em razão da crise financeira mundial. A feira estará aberta até este domingo, 25/9, e reflete um cenário de vendas mundiais de veículos em ascensão, embora no continente europeu os resultados não estejam bons, à exceção da Alemanha, o que ajudou a mostra.
Naturalmente, as marcas germânicas dominaram o ambiente. A começar pelo VW Up!, um subcompacto de quatro lugares, para disputar um segmento que crescerá muito. O modelo apresenta sofisticações, como frenagem automática e inteligente sistema multimídia portátil. Essa plataforma dará origem ao futuro carro de entrada da marca, substituindo o Gol IV, para cinco passageiros e com estilo próprio.
A Mercedes-Benz apresentou o novo Classe B, crossover de hatch e monovolume, com muitos equipamentos de série inclusive sistema anticolisão. Sua arquitetura flexível vai gerar um hatch (Classe A), um utilitário esporte (SUV) compacto, um sedã-cupê e uma station. Atenções se voltaram ao carro conceito F-125 (alusão aos 125 anos da empresa), um elétrico muito avançado que associa bateria de íon-enxofre e pilha a hidrogênio para até 1.000 km de autonomia.
A BMW mostrou o compacto Série 1, mais espaçoso, e consolidou sua submarca para propulsão alternativa. O i3 elétrico está praticamente pronto com muita fibra de carbono para aliviar o consumo da bateria, enquanto o híbrido esporte i8 ainda demora dois anos. A Audi respondeu com o carro-conceito A2 que terá também motor elétrico e o estudo Urban Concept ainda em estágio primário, mas o esportivo R8 e-Tron surgiu em forma quase definitiva.
Fechando a ofensiva alemã, a Porsche exibiu o novo 911, mais baixo e longo, projetado para receber propulsão híbrida. Versões conversíveis de supercarros também tiveram vez: Mercedes-Benz CLS (teto de lona) e Ferrari 458 Italia (teto rígido), atraindo fãs fiéis do puro glamour.
Impressionaram a semelhança visual entre o novo Fiat Panda e o Uno brasileiro, de plataformas diferentes, além da nova linguagem de estilo da Ford realçada no Evos. Citroën DS5 confirmou o desenho audacioso da marca; a Renault contra-atacou com o conceito do que poderá ser um Kangoo no futuro; Smart também antecipou a evolução estética do microcarro (além da terceira geração elétrica); Mini cupê ampliou de forma criativa o desenho que parecia único.
Entre os SUV de maior porte, a maior surpresa foi o Maserati Kubang (materialização de um conceito do Salão de Detroit/2003). A Land Rover antecipou em quatro anos as primeiras formas do que, tudo indica, será o sucessor do icônico Defender.
Apesar da ênfase sobre elétricos e híbridos em Frankfurt, já há mais gente pensando que motores a combustão ainda vão evoluir e surpreender em emissões. Na Europa, por exemplo, 75% dos motores de carros novos utilizam turbocompressores (Classe B e A1, 100%). Como gerar eletricidade também emite gás carbônico (CO2), à exceção de usinas atômicas, podem acontecer surpresas e adiar para além de 2030 as chances de mínima consolidação do mercado de veículos elétricos a bateria.

RODA VIVA

AUMENTO significativo do IPI atingirá indistintamente todos os modelos não produzidos no Mercosul e México, mesmo que o fabricante já possua instalações industriais no Brasil. No fundo, o governo federal sabe que essa discriminação de imposto segundo a origem do produto contraria a Constituição. Resolveu correr o risco, em defesa do emprego industrial.
MAIS estranho é a taxação extra sobre importados vigorar até dezembro de 2012, embora a política de aumento da competitividade vá até 2016. Fica a dúvida se a medida pode ser revista ou a exigência de conteúdo de peças nacionais abrandada para quem quer fabricar no País. Casos da Chery e JAC, além da BMW que extraoficialmente já decidiu, mas pode desistir.
MERCEDES-BENZ SLS AMG roadster oferece rara combinação entre raízes históricas, estilo atual e desempenho ímpar. Inspirado no venerável 300 SL, de 1954, e suas portas no estilo de asas de gaivota na versão cupê, o conversível tem, claro, portas convencionais. O teto de lona se amolda à perfeição ao desenho do carro, além de subtrair apenas três litros do porta-malas.
GUIAR o SLS é uma experiência estonteante. O roadster tem capô longo e traseira curta. Sua largura exige atenção em estradas e ruas estreitas da Costa Azul francesa, Mônaco e pequenas cidades italianas na região. Motor V-8 de 571 cv e excitantes 66,3 kgf·m são exploráveis em todas as situações. Mesmo que por apenas alguns segundos.
EXISTEM quatro opções de controle das suspensões no SLS, combinadas a respostas de direção, acelerador e troca de marchas na caixa automatizada de sete velocidades formando um transeixo traseiro. O conversível é cerca de 10% mais caro que o cupê e terá 30% do mix de vendas (no Brasil, bem menos). A fábrica produz cerca de 1.200 unidades/ano.

PERFIL
   

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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