Como posso escrever sobre esse tema se sou tão alienado ou mais alienado que o próprio termo já diz. Todos nós mantemos os olhos fechados para certas irregularidades, alguns apenas fingem não ver, outros não vêem mesmo.
A televisão, a principal mídia no Brasil, é a base para consolidação desse processo. Porque se tivéssemos uma educação de qualidade, talvez, enxergássemos o mundo de outra forma e questionássemos o que está ali sendo imposto.
Reclamamos do médico quando faz uma cirurgia mal feita. Acusamos o garçom se esse não nos dá atenção. Ridicularizamos a dona da lanchonete se o hot dog possui um leve recheio de cabelo. Mas e os profissionais da imprensa? Checamos? Não, eles nem são vistos como profissionais humanos que também erram, mas como os donos da verdade absoluta.
O maior exemplo de alienação de um grande fato foi à cobertura da ultima Parada Gay de São Paulo. Quase todos os veículos de comunicação relataram o evento como se não tivesse nada a ver com protesto, mas simplesmente retratando como mais um outro tipo de carnaval que atrai lucros e investimentos para a cidade.
Nenhum dos jornais que assisti, ou li destacaram a Parada como um sinal de protesto. Não relacionaram o número de mortes que acontecem por ano único e exclusivamente por causa do preconceito. Não demonstraram o quanto que o preconceito sexual prejudica a tantos seres humanos. Afinal, a Parada reúne milhões de pessoa com a finalidade de parar o Brasil e fazer com que tantos conservadores pensem a respeito de que aquelas pessoas ali também são seres humanos.
As roupas chamativas, o colorido na televisão é um dos utensílios para que o “evento” apareça! Mesmo que não seja como protesto, mas só o fato de já está sendo noticia é um grande avanço para uma minoria que sempre é esquecida dos noticiários. Quantas vezes ouvimos denuncias de preconceito? Casos de morte? É pouco ou quase nenhum, o destaque é apenas para pessoas ditas como normais pela sociedade.
Alienação também faz parte desse contexto. Segundo Marilena Chauí “Há uma dupla alienação: por um lado, os homens não se reconhecem como agentes e autores da vida social com suas instituições, mas, por outro lado e ao mesmo tempo, julgam-se indivíduos plenamente livres, capazes de mudar suas vidas individuais como e quando quiserem, apesar das instituições sociais e das condições históricas. No primeiro caso, não percebem que instituem a sociedade: no segundo caso, ignoram que a sociedade instituída determina seus pensamentos e ações .“.
Ou seja, temos uma chuva de informações sobre a Parada Gay, retratando o nosso direito de ser informados e de não a censura, e ao mesmo tempos somos censurado quando a mídia não nos relata o principal significado do manifesto.
A mídia reproduz um fato de outro ângulo, retirando o seu principal objetivo para transformá-lo em festa e espetáculo para não desagradar os grandes conservadores que estão no poder. A Parada Gay então, segundo aos olhos da TV, é festa, trio elétrico diversão e não uma forma de protesto, aliás esse nome nem aparece relacionado às matérias. E nós, muitas vezes sem olhos críticos, damos risadas, olhamos o “diferente” e falamos, é o dia deles...deixem eles lá. Afinal, é só hoje.
A dimensão de uma passeata que reúne milhões de pessoas não é falada. E até comentários do tipo:
”Heterossexuais, Rute Mariano, de 41 anos, e Marcela Azevedo, de 24 anos, lamentaram terem visto muitos homens bonitos e gays nos trios elétricos enquanto ambas estão sem namorado.”
São dados destaque, pois nós temos que entender que é lamentável a pessoa não ter a mesma opção sexual que a nossa, que eu estou aqui sozinha, normal, enquanto que aquele cara bonito e gay não presta atenção
Obs: Gente desculpa se as imagens ficaram desorganizadas, mas estou usando um computador diferente aqui na casa da minha prima, e não consigo movimentar as imagens para onde quero...