Aparentemente fiquei pensativa e resolvi fazer um post mostrando um pouco das minhas dúvidas e o medo que tenho sobre determinada frase, visivelmente simples, mas que trás em si um valor muito grande para atual sociedade em que vivemos.
É notável que “ser negro” no Brasil ou qualquer lugar do mundo tem suas peculiaridades. No entanto focalizarei essa percepção em nosso país.
Nos EUA, por exemplo, não basta ter a cor negra, mas se a pessoa tiver uma descendência negra já é considerado como não branco. Pode ser a pessoa branca, loira e dos olhos azuis, mas se em seu sangue corre o mínimo de sangue negro, você é considerado como tal. É questão de origem. No Brasil, a concepção de negro é diferente. A cor é o traço marcante, independentemente de sua origem. Branco é branco e negro é negro.
Como a cor diz tudo, podemos traçar o perfil do preconceito em nosso país. A miséria, o nível de educação, os empregos menos relevantes, o sofrimento e tudo de negativo no Brasil tem cor.
Muitos dizem que não. Que no Brasil o preconceito “racial” (tomando o termo mais prático, mas desde já entendendo que não existe diferença de raça entre humanos) já teve um fim, principalmente porque somos o país da mistura, temos a cidade de Salvador que possui uma quantidade enorme de negros. As novelas já exibem essas pessoas em seu conteúdo. Não somos mais preconceituosos assim.
De acordo com a matéria que vi sobre o tema “Ser negro está na moda”, um dos fotógrafos da revista Vogue, Mario Testino acredita que não existe racismo e, sim, momentos: "Este é o momento das negras, do mesmo jeito que houve o momento das supermodels e o das brasileiras”.
Já não é um ato preconceituoso falar em moda negra? Por acaso já ouvimos alguém mencionar a moda branca? Neste ponto já observamos uma questão marcante que traça a diferença entre ser negro e ser branco. O
negro é diferente, ele tem uma característica individual que o torna diferente. E, em nosso caso, é a cor. Mas também temos cor não? Não somos brancos? E por que branco não é tendência? Parece que vivemos num mundo “branco” e que negros são diferentes por que os comparando com os brancos falta-lhe algo.
Vocês não entenderam onde quero chegar. Vou explicar melhor. Esta visão citada acima é a visão do que falta. Por exemplo, na ótica machista e comum dos livros que sempre retrataram o mundo através dos olhos masculinos, a mulher não tem o que o homem tem. Digamos o pênis. Na ótica masculina na mulher falta-lhe o pênis. Mas por que não se pensa no homem falta-lhe uma vagina. Justamente porque o pensamento dominante (não gosto desse termo mas foi o único que encontrei agora), se eu me vejo dessa forma, o outro que é diferente, é o outro que não tem o que eu tenho.
Portanto, como o branco sempre teve a posse intelectual, o sujeito negro é um sujeito diferente. Esta cor não é a “normal”. Vamos entender porque ele é assim. E daí surgiu vários mitos, como por exemplo, a diferença biológica, o negro pensa menos, o negro é isso, é aquilo, tudo de inferior ao branco.
Mas retomando ao assunto moda negra. Se fizermos uma analise da quantidade de topmodels negras, veremos que o número de personalidades nessa área é infinitamente menor do que o de brancas. Alguém aí pode me falar um nome de uma modelo negra sem ser a Naomi, claro!? Esse auge negro, é um tanto contraditório.
Sempre tomamos o significado de m
oda como passageiro. Portanto, os negros são passageiros. Eles estão sendo vistos agora, mas não se preocupem, é moda, logo passará. E por outro lado temos o aspecto positivo no qual o negro está tendo visibilidade em uma área notadamente marcada por padrões de beleza, onde o estereótipo branco é o que predomina, e, no entanto nos damos conta da situação efêmera do ser negro. Por que não há um aspecto de moda nisso. A moda é criada pelos homens. O negro não é criado.
Também não aceitarei questionamentos do tipo...ahhh mas o negro tem um jeito diferente de se vestir, por isso a “moda negra”. Vamos pensar um pouco? Vestimenta também tem haver com cultura...Estamos também lhe dando hoje com a moda Indiana. Mas um país é uma coisa, a cor de uma pessoa é outra. Se falássemos em “moda negra Luandense” eu até concordaria com vocês, mas ao juntar os negros de todo o mundo numa categoria só, falando de “moda negra” estamos afirmando que ser negro é igual em qualquer lugar do mundo, independente de sua cultura.
Por isso, acho essa denominação extremamente preconceituosa. Não deveria haver diferenças entre cor, é tão normal ser branco tanto quanto ser negro.
Vejam as fotos abaixo, há alguma moda “negra”? O que vejo são mulheres negras vestindo roupas feitas por homens ou mulheres de qualquer cor, não vejo uma moda relacionada à cor, ao jeito negro de ser, até porque, como já disse, não são seres homogêneos, e moda, para mim, tem muito mais haver com cultura do que com a cor.