A gente critica. Só passa “merda” na TV. Mas por que ainda sim, assistimos até aqueles programas que mais falamos mal?
O público, em protesto, poderia abster-se disso. Não vou mais assistir ao Faustão! Nem a Globo...nem o escambau!
Mas não é assim que funciona, não vamos culpar o público por um processo que vem sido alimentado pelas próprias indústrias comunicativas.
Como mostrar Shakespeare, se acostumei o meu público com Glória Perez? Como gostar de Chico Buarque se o Chico do pagode aparece sempre nas paradas de sucesso? Como gostar de política se apenas vejo roubo e escândalo?
Não estou avaliando gosto. Nem dizendo que um é melhor que o outro. Mas para desenvolver um processo critico, algumas obras fazem o ser pensar mais do que outros e refletir sobre a sociedade e o ser humano em si.
Se o homem comum não sabe nada a respeito do mundo, como ele vai gostar de um noticiário a respeito dele?
Descarregar a culpa no público é fácil. Se ele dá audiência é porque ele gosta. Mas se fosse transmitido assuntos de nível elevado, ele também se interessaria por ele, obvio que se acostumo ele com lixo visual, ele vai estranhar ver algo mais bem detalhado.
É assim que acontece conosco. Os noticiários só mostram tragédia. E a gente continua assistindo. Mas a gente vê isso todos os dias. A morte já se tornou até algo banal, tanto faz morrer um quanto mil, são apenas mortes que vemos todos os dias, isso não nos choca mais desse ponto de vista. Mas mexe com o nosso emocional ver as vitimas. Os parentes. Saber as histórias de vida de cada um que se foi.
Para Sartori (leia o post anterior), a televisão estaria simplesmente mudando a natureza do ser humano, que deixa de ser homo sapiens (homem que sabe) para torna-se homo videns (homem que vê) inaugurando a era do pós-pensamento. Incapaz de elaborar um pensamento abstrato, o homem se torna um idiota guiado por símbolos e imagens.
Vocês concordam que somos uma geração de idiotas guiados pela TV? Eu acho essa afirmação do autor bastante radical. Devemos levar em conta que o número de pessoas que hoje em dia tem acesso à educação melhorou. Se agora, temos um pouco mais de consciência, não somos tão idiotas assim, somos?
Sem falar da era a qual ele denomina pós pensamento. Não, não! O homem não se tornará um escravo da TV. É difícil acreditar nisso e muito mais no conceito definido por ele, como se não pensássemos mais.
Temos lixo? Temos! A televisão guia muitas pessoas, infelizmente isso é uma afirmação. Mas se fomos considerar o exemplo das eleições presidenciais de Lula, onde a mídia televisiva, principalmente a Globo, foi totalmente contra ele, temos a remota esperança e uma boa comprovação de que o povo não é tão guiado pela televisão assim.
Há um termo denominado por Hans Magnus Enzensberger onde ele designa o homem pós-TV com um analfabeto secundário.
Se analfabeto primário já é ruim, imagine um secundário...Vamos lá....O que seria esse cara? Uma pessoa que consegue ler um jornal, sacar dinheiro de um caixa eletrônico, mas é incapaz de interpretar por si o cenário político ou cultural que o cerca.
É mais o problema não gira apenas em torno disso. Acho esse conceito complicado. A gente não sabe sobre tantas coisas que deveríamos saber. E não culpo somente a televisão nesse caso, mas principalmente a forma como somos educados.
Por exemplo. Você não concorda que todo cidadão deveria saber sobre os seus direitos e deveres? Por que somente os advogados e cargos superiores relacionado a ele podem acumular esse conhecimento? Seria muito melhor, se tivéssemos aulas de direito nas escolas, e o advogada prestasse um tipo de auxilio, afinal, haja lei né!
Se há um tema a discutir é o de uma política cultural para a mídia eletrônica, TV e internet. Além das formas de educação! Elas estão aí; como usá-las para evitar que nos usem: é essa a questão, ainda evitada na sociedade e nos governos.