
Hoje o meu post será baseado no texto do Giovanni Sartori, chamado Homo Videns, Televisão e pós- pensamento.
Seria este uma prolongação do último post sobre opinião pública centrado na política, e que confirma a fala de um dos meus leitores segundo o qual disse que o tema ainda renderia mais discussões.
Com mais argumentos e conhecimento sobre o assunto, a partir desse texto, o que não quer dizer que concorde com tudo, vou explanar um pouco sobre a influência da televisão na opinião pública.

Para se ter opinião, é necessário que a pessoa tenha o mínimo de informação sobre determinado assunto. A partir do surgimento dos meios de comunicação, se disponibilizou um acesso a informação em larga escala. Podemos dizer que a maioria das pessoas, hoje, é bem informada. Mas é preciso ressaltar a distinção entre conhecimento e informação.
A televisão informa sobre uma gama de assuntos.

Temos uma chuva de temas sobre os quais podemos discorrer sem nenhum problema baseado no que assistimos. No entanto informação não é conhecimento. Para se ter o conhecimento é necessário que se tenha pelo menos noção do que está sendo informado.

Vamos nos transportar ao plano da realidade. Por exemplo. Uma noticia que está em voga é sobre as obras paralisadas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que envolvem 1,9 bilhão. As pessoas sabem do acontecimento, mas será que alguém antes se lembrava do PAC? Para que ele serve? Quem utiliza desse serviço? É muito fácil falar sobre o PAC a partir do que a televisão ou outros meios me informaram a partir desse fato. Mas será que você, cidadão, que deveria saber como o dinheiro público é utilizado sabe da finalidade desse programa? Ou já tinha conhecimento dele?

Espero que eu tenha sido feliz no meu exemplo, afinal isso foi para explicar melhor a fala do Sartori que diz “Informar é oferecer noticias, que devem contar não só informes, mas também noções das coisas. Assim, é possível sermos informados a respeito de eventos, mas também sobre outras realidades que podemos conhecer, embora seja preciso esclarecer logo que informação não é conhecimento e nem um saber no sentindo heurístico do termo.” Portanto, uma pessoa pode ser muito bem informada, mas não compreender as informações que possui.
Retomando novamente o meu último post, as informações que deveriam ser muito bem entendidas, como os assuntos de interesse público, são na maioria das vezes, são tratadas com certo descaso. Quando não são puramente sensacionalistas ou superficiais, são omitidas dos noticiários.
Mas você poderia me questionar sobre o fato de termos diferentes tipos de companhias de comunicação, ou seja, opiniões diferenciadas? Esta seria uma boa questão.

Temos a Globo, Record, Bandeirantes, SBT, dentre outras... Elas expõem diferentes tipos de opiniões? O que percebo são transmissões do mesmo fato, muitas vezes até com as mesmas fontes. Esse é um sério problema. Não temos diversidade nos pontos de vista. Os fatos são tratados quase sempre do mesmo ângulo. Como se todos os jornalistas tivessem a mesma criatividade, os mesmos valores, a mesma percepção. Raro aquele noticiário que faz a diferença. Então, a partir desse pensamento, ficamos com a mesma noção superficial de tudo, assistindo o mesmo em todos os canais de TV.
A televisão é um veiculo de comunicação problemático. Veja comigo a diferença entre o rádio, o jornal e a TV.

O jornal dá acesso apenas àqueles que sabem ler. Tem um espaço digno de maior apuração dos fatos, não está preocupado com o tempo, apesar de estar atento para o número de linhas a serem escritas, mas de certo forma é o veiculo que dá mais acesso a uma noticia mais bem elaborada.

O rádio já leva a informação a qualquer pessoa que pode ouvir. E por isso, tem que simplificar o máximo à notícia para que seja mais bem compreendida por todo e qualquer receptor, independente do nível escolar.
A televisão atinge mais pessoas. Mas dá menos informação. Ela precisa de imagens e se um fato é desprevenido de percepção ocular, ele é simplesmente omitido desse meio. É o que o Sartori chama de “noticia vídeo-digna”. A televisão precisa estar no lugar do acontecimento para informar, sendo que os outros meios não precisam disso. É a “verdade” justificada pela imagem, vamos traduzir com aquele ditado “Só acredito, vendo”. E por isso se torna um meio perigoso.
Se for preciso imagens, aqueles lugares que são de difícil acesso, ou não

possuem uma filiada da TV são esquecidos por esta. Citando mais um exemplo bem próximo a mim, digo sobre a cidade de Cachoeira. Lá não existe uma emissora de TV. Deveria, no entanto, ser coberta pela TV SUBAÉ de Feira de Santana, ou a filiada de Cruz das Almas que não sei o nome. Mas o que acontece não é isso. A cidade parece não existir no mapa. Até para chamar atenção das autoridades, se for feito um protesto, não dá em nada. Pois a TV, que apesar de todas essas falhas é o veiculo que atinge o maior de número de pessoas, não está presente na cidade, portanto, o fato fica ali esquecido. Assim, como Cachoeira, se fossemos levar o exemplo a um nível ainda maior, ficaríamos surpresos com a quase não presença nos noticiários, dos estados brasileiros do Norte e Nordeste.

Outro problema é o pseudo-evento. O dever de mostrar gera, em seguida, o desejo de mostrar-se. O que produz esse tipo de evento é a existência de uma filmadora no local. Portanto, é o evento fabricado pela televisão. Ou pior ainda quando gera as “falsas” opiniões porque a imagem é poderosa, então é preciso tomar uma atitude politicamente correta quando se está a frente das câmeras. É fácil ver uma pessoa menos alfabetizada tentando falar “correto”, sem ter o conhecimento do que é esse “correto” e acaba gerando uma fala pior do que a que se desejaria. A opinião varia de acordo com o veiculo. A imagem, expõe. Ser verdadeiro às vezes pode prejudicar essa imagem.

Vamos dizer que existe uma matéria, na verdade uma enquête, sobre mulheres que defendem o ato de ter relações sexuais antes mesmo de conhecer a pessoa que se relaciona profundamente. Será que todas expressariam realmente o que sentem, ou a maioria com vergonha de ser taxada, mais tarde, com os preconceitos da sociedade seria contra a opinião acima citada? Assim podemos aplicar a todo e qualquer assunto, principalmente aqueles que estão relacionados a preconceito.

Por fim, o que se pode concluir disso tudo é que a televisão possui muitos problemas em relação a informação. Pouco temo para a cobertura. A limitação através das imagens, os eventos formados a partir da presença da câmera e o baixo nível de assuntos, que geralmente estão relacionados às imagens de impacto sobre sentimentos e emoções. Não é a toa que quando ligamos a TV, as vezes falamos: “Nossa! só tem tragédia no mundo”.
Imagine, se esse espaço fosse alterado para o que realmente precisamos saber para melhorar as nossas vidas. Como informação sobre os nossos direitos, como está sendo usado o dinheiro pelo qual pagamos os impostos, por que determinado fato acontece já que tem tudo para não existir. E por aí vai. Momento de emoção, distração e entretenimento, as novelas e programas sabem fazer “muito bem” o papel que lhes cabe.