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Tuesday, July 14, 2009

Sexismo e Racismo: Faces de uma mesma moeda



Racismo e sexismo são dois assuntos que se relacionam mais do que muita gente pensa. Enquanto o primeiro tem ganhado bastante destaque na mídia, o segundo pouca ou quase nenhuma visibilidade tem.



Se você parar um minuto e refletir sobre preconceito, verá que o único ser destituído de tal sofrimento são os homens brancos. Não cabe aqui perguntar o porquê, afinal, este homem não é mulher e não tem cor.



Ultimamente, vivemos num mundo o qual valoriza as políticas sociais, pelo menos é a carapaça que se percebe na TV. Política de cotas, inclusão social, todos esses assuntos ganham destaque quando são pautas de alguma novidade no qual estão inseridos.

No entanto, faz-se necessário apresentar uma breve percepção histórica do termo racismo.



No Brasil, o racismo refere-se ao preconceito de cor da pele, ou seja, mesmo que o indivíduo negro pertença a uma classe social favore

cida ou a uma descendência árabe, por exemplo, será discriminado em diferentes situações, embora em menor grau. O mesmo vale para o mestiço, ou seja, o descendente de negros e não-negros (MUNANGA, 1999).



É preciso deixar claro que o conceito de raça, criado por cientistas na tentativa de classificar - e de dominar - os seres humanos pela cor da pele, vem sendo substituído na atualidade, tendo em vista os estudos que comprovam sermos descendentes apenas da espécie humana.



Pois bem, hoje sabemos que não existem diferenças de raça. Entretanto, na época do Nazismo, essas distinções entre seres humanos eram ressaltadas, tendo como raça superior ariana o auge desse preconceito.



Depois do fim da guerra, surgiram formas e formas de alertar ao mundo que aquele conceito racista não estava certo. A Alemanha passou por uma verdadeira crise de vergonha perante o mundo ao aceitar que um homem (Hitler) tivesse o poder de influenciar de tantas mentes ao adotar um preconceito tão atroz.



Dessa forma, o termo racismo entrou em decadência porque simbolizava vergonha e talvez até imaturidade perante os detentores desse preconceito. Perceba que atualmente, é muito mais fácil alguém fazer uma pessoa dizer “eu sou preconceituoso”, do que “eu sou racista”. Racismo se tornou um termo pesado e

digno de condenação.



A partir dessa introdução sobre o termo racismo, faz-se necessário uma co-relação com o termo sexismo que se configura em discriminação ou tratamento indigno a um determinado gênero, ou ainda a determinada identidade sexual e orientação sexual.



Diferente do racismo, pouco se comenta sobre sexismo nos meios de comunicação. Como sabemos o uso mais comum desse termo é no que se refere ao machismo, à crença pela qual o homem é superior a mulher em todos os sentidos.



Se sexismo e racismo são duas formas de preconceito, as pessoas que sofrem tanto de um ato quanto do outro deveriam ao menos entender a situação pelo qual passam e não mais reproduzir estas formas de coação.



Digo isso porque mais uma vez presenciei o sexismo pelo meu professor do curso de informática. Antes do ocorrido, quero lembrar que o professor é negro, portanto, já deve ter sofrido algum tipo de preconceito em vida. Afinal, a nossa sociedade é do tipo que mascara as desigualdades, no entanto, as pratica de forma diária.



Se um negro, que sofre preconceito, reproduz outro tipo de preconceito, faz

-se necessário entender o porquê dessa falta de conscientização.



Em plena aula de informática, o professor pediu para que fizéssemos duplas onde elaboraríamos um projeto gráfico sobre um evento musical. Muitas duplas se formaram, mas outras não conseguiram achar um par. Dessa forma, um aluno perguntou ao professor com quem ele poderia ficar. O professor respondeu-lhe que o menino deveria se unir à menina ao lado, e a outro garoto, pois seriam dois cérebros e meio. Entende-se “meio” o cérebro feminino neste discurso.



Eu e os meus pensamentos não conseguimos ainda concluir como alguém que sofre preconceito age de forma comparável. Era de se esperar que se não gosto que me insultem, também não agirei do mesmo modo. No entanto o que se percebe não é isso. Racismo e Sexismo são duas formas diferentes de preconceito, embora transitem de forma equiparada na sociedade.



Como feminista que sou, não poderia calar-me diante dessa situação. Afinal, o preconceito não se combate com mais preconceito e silêncio, mas sim com argumentos mostrando como aquela ação está errada.



A sala em que estamos é pequena, qualquer alteração na fala seria perceptível. Por isso quando me pronunciei de forma exaltada, porém educada, todos prestaram atenção, servindo de exemplo, portanto, não só ao professor como também aos demais alunos.



Disse-lhe que não estava certo agir dessa forma, que sexismo também é um tipo de preconceito. Que ele estava menosprezando as mulheres da sala. Ele encabulado, disse que era apenas uma brincadeira.



Como sabemos é de forma ingênua que se reproduzem os vários tipos de preconceito. É muito mais fácil demonstrar o seu racismo, por exemplo, numa piada, do que numa fala séria. Se eu conto uma piada racista, e a pessoa que ouve, gosta, ela vai repassar o racismo. De piada em piada, todos riem do mesmo fato e dessa forma o preconceito é reproduzido. Por isso, entendo que a melhor forma de agir, seja não rir e repreendê-lo (a), ou não desejar ouvir se o emissor num primeiro momento enuncia que vai contar uma piada racista.



Do meu ponto de vista, percebo que o machismo é algo tão forte na sociedade, que se torna um meio de autopromoção daqueles que não tem uma condição vista como superior. A exemplo do fato acima, eu, como negro, sofro com o racismo, a única forma de agir com superioridade perante outras minorias é expondo o meu ar de superioridade perante as mulheres. Afinal, a lógica de superioridade é dita da seguinte forma: Homens brancos, homens negros, mulheres brancas, mulheres negras.

Veja que no final da escala estão as mulheres negras. Que sofrem dois tipos de preconceito: o racismo e o sexismo.



Como falei anteriormente, o racismo ganhou uma forma de esconderijo. Não se caminha mais pelo primeiro termo, mas pelo termo preconceito. Essa camuflagem pode ser percebida até do ponto de vista do movimento feminista.

Antes, o movimento se concentrava nas questões de gênero. Nas desigualdades sexuais. No entanto, com a percepção negra dos fatos, foi-se concluindo, que além do preconceito sexista existia o racismo que influi nos temas de um mesmo assunto.



Exemplificando, temos as mulheres brancas, em determinada época lutando pelo ingresso no mercado de trabalho, contudo não se fazia perceptível a situação das mulheres negras que já trabalhavam como escravas.



Ou seja, dentro do mesmo gênero, temos situações diferentes por causa da questão cor. E por isso deu-se um rompimento no movimento feminista, pois as questões de mulheres negras eram diferentes e ainda são das questões vindas das mulheres brancas.



Veja que raça e sexo estão bem próximos quando a questão é preconceito. Não vou me alongar mais em minhas aulas. O objetivo desse post foi deixar em aberto uma questão: Por que uma pessoa que sofre preconceito, reproduz preconceitos?



Espero, desta vez, inquietações originadas dos meus pacíficos leitores.

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