Retomando os assuntos que se tornam inquietantes em minha mente, e impossíveis de não serem debatidos, hoje, contemplo-lhes com o assunto diploma para jornalistas.
Como todos aqui sabem, eu sou estudante de jornalismo, do sexto semestre da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e talvez o peso do assunto recaia mais sobre nós estudantes do que muitos imaginam.
Já pensou? Você estudar por quatro anos, e quase no fim desse período receber a noticia de que o seu diploma não vale nada? Digo que não vale nada, porque qualquer um pode ser agora jornalista sem estudar. De que vale então os meus estudos?
Vale muito, vou responder-lhes assim.
Admira-me muito, o ministro Gilmar Mendes, um homem com doutorado, experiências infinitas no campo da advocacia, usar em sua defesa argumentos tão fúte
is como ao comparar jornalismo e culinária. Não estou aqui desmerecendo o profissional da gastronomia, mas é realmente incrível como duas profissões tão diferentes são comparadas em nível de igualdade.
Trabalhar com informação requer muita técnica e compromisso. Ao estudarmos jornalismo, estamos também aprendendo como devemos informar os cidadãos. A nossa credibilidade vem da informação segura, bem checada, sem grandes erros e mentiras.
É provável que muitos digam que não é isso que a gente vê hoje. Muitos jornalistas faltam com a ética sim. Mas em qual profissão existe unanimidade de profissionais que realmente são éticos? Não estou justificando a falta de ética, apenas estou mostrando o quanto esse argumento é frágil. Veja, por exemplo, no caso de Michael Jackson, o número de médicos que receitavam remédios para eles que não deveriam ser consumidos. Se fosse por essa falta de ética, então os médicos deveriam ser também destituídos de diploma, e que o curso se tornasse algo técnico também.
É verdade que o jornalismo começou com grandes escritores, que estes não tinham nenhum conhecimento de termos técnicos jornalísticos para escrever. Mas realmente, há espaço para esse tipo de jornalismo, do qual as pessoas não precisam das técnicas. Um médico pode escrever muito bem ou melhor do que muito jornalista sobre o campo a qual pertence, mas ele não irá saber buscar fontes, contrapor argumentos e chegar ao máximo possível de uma investigação de jornalística. Esse papel é produto do jornalismo, e a ele deve ser garantido.
A quem beneficia essa nova regra? Exclusivamente aos empresários, claro. Se a nossa profissão não merece diploma, porque também deveríamos ter um peso salarial? É aí que entram os “chefões”. Vão poder pagar o preço que acharem que o jornalista merece, ao contrario podem ocupar o lugar pessoas conhecidas, amigos, familiares, que saibam ao menos escrever.
E além do jornalista prejudicado, o cidadão é também um grande perdedor nessa história, é ele que irá receber essas noticias produzidas por qualquer um. Geralmente vão ser noticias curtas, superficiais, e com nenhum tipo de relação com outros assuntos.
Há todo um preparo para ser jornalista. Não apenas aprendemos técnicas, como também somos responsáveis por ter um aparato cultural e social para reproduzir conhecimento a mais para os nossos leitores.
Há uma serie de fatores. O compromisso com a informação é de tamanha importância que até o estágio para estudantes de jornalismo é proibido. Perceba o cuidado com a informação, já pensou como uma noticia mal checada pode fazer um estrago na vida de uma pessoa? Existem muitos casos, apenas citarei um exemplo. O caso “Bar Bodega.”.
O fato aconteceu no ano de 1996, no interior de uma choperia localizada em Moema, bairro nobre da cidade de São Paulo, no qual dois jovens da classe média paulistana morreram, de forma brutal e desnecessária. Pressionada, 15 dias após o evento criminoso, a polícia apresentou aqueles que seriam os responsáveis pela morte das vítimas: cinco jovens negros e pobres, moradores da periferia da região da Grande São Paulo.
Expostos à imprensa como animais bravios, algemados e com placas dependuradas em seus corpos, indicando números, foram fotografados, filmados e entrevistados por dezenas de repórteres de rádios, tevês, jornais e revistas. Já estavam condenados pela mídia. Não precisava nem de uma ultima voz da justiça.
Só que no final de tudo, foi comprovada a inocência desses rapazes, mas como recuperar a imagem denegrida? O livro Bar Bodega comenta justamente o que ocorreu com os jovens após a exposição na mídia, como eles perderam sua credibilidade perante a sociedade, mesmo depois de serem absolvidos.
Então, fica mais do que comprovada a importância da informação. O diploma de jornalismo tem que ser garantido, principalmente para que graves erros como o Bar Bodega e tantos outros não aconteçam mais. E olha que esses erros foram dos próprios jornalistas, imaginem por pessoas leigas o que é que não teria acontecido.
Outro ponto bastante comentado é sobre a mídia alternativa, a decadência do jornal. Os blogs são grandes exemplos de interação do publico com a mídia, as pessoas “normais” agora podem também transmitir informação via veiculo de mídia. No entanto, vocês percebem que os sites mais procurados são os portais. Por que? Veja bem. Nem tudo na internet é verdade, se fosse, eu acreditaria que Michael Jackson estaria vivo agora, e que outros artistas também estariam mortos, como aconteceu no ultimo final de semana, onde foi divulgada a morte de vários artistas pelo Twiter. Informações falsas, que não merecem atenção da sociedade, mas que servem de alerta para importância dos veículos de informação que tem credibilidade. Afinal, eles não transmitiriam essas falácias, sem antes uma confirmação oficial.
Enfim, o meu texto hoje foi um apelo à função de jornalista, o valor digno de seu trabalho.
Jornalista tem que ter diploma!