Retomando as minhas atividades aqui no blog, que estão negligenciadas há um bom tempo, resolvi postar esse texto para finalizar o polêmico assunto da autoescola.
Com muito sacrifício consegui terminar de assistir as aulas práticas. No primeiro momento, um instrutor paciente ensinou-me alguns pontos a respeito do automóvel, de como usar a máquina e todos os elementos que fazem parte de sua composição. Logo nas aulas iniciais, tive a oportunidade de dirigir o carro em pistas movimentadas da cidade, mas como era a primeira vez que tive contato com a direção do carro me senti insegura e com medo. Acho que esta é a realidade de muitas garotas, com raras exceções.
Na minha família, o incentivo maior sempre foi para que o meu irmão começasse a dirigir, mesmo sendo quatro anos mais novo que a minha pessoa. Estranho, não é? Geralmente os mais velhos têm algumas prioridades, mas o gênero neste caso conta, e muito, afinal o senso comum acredita que a necessidade de ter um carro é prioritária a um homem já que dirigir faz parte da liberdade individual do ser humano. E as garotas? Ahh... elas podem esperar. Mais uma vez, questões de liberdade ao sexo feminino são sempre esquecidas, e essa realidade não foi diferente na minha vida. Eu poderia muito bem ser dependente a vida toda. Não é assim que somos educadas? Casar e esperar que um homem faça tudo para nós? Por isso, dirigir não é uma necessidade em primeira instância para uma mulher.
Agora estou com 22 anos, se tudo der certo, com 23 já estou com minha carteira provisória e pilotando em toda a cidade. Meu irmão, com 18 anos provavelmente já vai possuir a dele também. Tudo bem, vamos voltar a descrição das aulas.
Na segunda semana, o meu instrutor entrou de férias e logo foi substituído por um rapaz incompreensível. Se eu não acertasse fazer o que ele mandava, seu rosto ficava vermelho e o tom da voz modificava. Eu concordo que dirigir não é algo difícil ou um bicho de 7 cabeças, mas para quem está começando tudo é um desafio, e conduzir um carro envolve não só o motorista mas também todos que estão envolvidos no trânsito, ou seja exige-se um mínimo de responsabilidade, estamos falando de VIDA. Essa questão mexia muito com o meu desenvolvimento porque ficava com medo de atropelar alguém, de não conseguir desviar o carro de um animal, de parar o carro no momento errado e provocar um acidente. Querendo ou não sempre eu pensava nesses acontecimentos e acabava por ter um péssimo modo de dirigir. Meu instrutor, como relatei antes, não era nem um pouco paciente, então agia grosseiramente, no intuito de acelerar o meu aprendizado, no entanto ele só fazia com que eu me retraísse ainda mais.
Quando eu não conheço uma pessoa direito, primeiro eu observo sua personalidade para iniciar uma conversa de um jeito que não ofenda nem também que seja light demais. Do meu instrutor eu pude perceber que ele era aquele tipo de pessoa que logo fica brava com qualquer coisa, é a conseqüência do stress da sociedade atual, isso eu até entendo, o que não tolero é falta de educação. Constatando essa característica, tive que agir da mesma forma em uma das ocasiões afirmando minha condição de aprendiz e mostrando as minhas dificuldades. Depois dessa conversa passamos a nos entender um pouco melhor.
Algum tempo depois, eu peguei o jeito. Estava colocando o carro na garagem corretamente e passeando nas ruas (ainda com medo), mas com um pouco mais de coragem. Confesso que passei mais tempo do que deveria na autoescola, porque os meus horários estavam chocando com os da Universidade e acabou dando tempo do meu primeiro instrutor voltar de férias e me orientar novamente.
Percebi com essa mudança, que o rapaz nervoso me direcionava de forma automática. Vou exemplificar. Quando treinamos no campo a modalidade de garagem, ficam 7 cones posicionados a nossa frente e 7 cones posicionados à direita e atrás do carro. Quando saímos dos primeiros cones que formam uma garagem, logo vemos os outros através do retrovisor e o instrutor me ensinava a contar até o sétimo e fazer a inversão da direção. Isso para mim já era uma fórmula, se algo desse errado, como sair um pouco a mais da garagem e errar a distância, não sabia como me defender porque estava presa a fórmula. Porém, o meu instrutor paciente percebeu o erro e logo apontou as minhas falhas, aplicando a didática do raciocínio que serve para qualquer ocasião. Se eu não tivesse a orientação dele, talvez agora eu soubesse apenas tirar e colocar o carro em garagens formadas por cones.
A didática é simples, prestar atenção na distância do lado do motorista e fazer os movimentos necessários caso haja um imprevisto. Eu não consigo colocar isso em palavras, muito melhor é mostrar essa explicação no carro, mas a conversa foi mais ou menos na linha do raciocínio e não do “decoreba”.
No dia do exame, eu estava super nervosa. Eu fui com o meu irmão e o meu pai. Logo quando cheguei percebi os obstáculos que teria de enfrentar, a pista de terra estava repleta de buracos por causa da chuva, o que já era muito diferente do campo onde eu estava acostumada a treinar e muitas pessoas estavam presentes para realizar o exame, uma fila imensa para fazer o teste.
Não há segunda chance, se errou já era. Não importa as condições. Não importa o nervosismo.
Eu discordo dessa forma de aplicação de teste, acho que o aluno nervoso precisa fazer uma primeira avaliação apenas para se familiarizar com o carro, afinal muitos só dirigem no momento de aula. Este foi o meu caso também. Mas não teve jeito. Fui reprovada. Não vou nem mencionar as condições da pista, é um absurdo fazer um teste de automóvel numa estrada que só tem buracos.
Na quarta-feira, estarei indo novamente ao local do exame fazer o teste pela segunda vez. Torçam por mim!
