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Friday, September 9, 2011

Águas passadas


Percebi que estava com sede quando o gosto seco e vazio da boca brotava como água em fonte de liquidação. Corri para a prateleira repleta de copos, alguns coloridos, outros estampados, mas os de minha preferência eram lisos, transparentes, mania de poder enxergar com clareza o interior dos objetos.

Com a garrafa em mãos, derramei o líquido até o limite, mas não tive controle suficiente e fios de água escorreram pelo copo, pareciam pesados, tudo problema da força de gravidade.

Fiquei com vontade de tocar, apertei o copo com força e o máximo que consegui foi molhar os dedos. Os fios se transformaram em gotinhas, e a umidade da minha mão passou ao rosto, depois que encostei suavemente os dedos na minha face. Fazia calor e o frescor da água aliviou por instantes aquela sensação desagradável.

Recordei-me das propagandas de sabonete onde as mulheres se tocam de forma inverossímil. Naquele momento eu queria estar assim, distante da realidade, ser uma sereia para um copo de água e nadar nas profundezas do vazio.

Como um simples gesto diário me transporta para outro mundo? Isso eu não sei dizer, talvez eu esteja desejando férias, com direito a praia, sol e bebidas cítricas ou talvez, nada disso seja importante e eu esteja aqui somente tentado agregar lembranças de imagens passadas.

Gota a gota saboreei o gosto daquela água transbordando pelo copo. Gota a gota pensei no sabor que deveriam ter, gosto de futuro que preserva o presente e almeja o passado.

Tuesday, June 28, 2011

Vale do Capão : Vibração ao extremo - Parte II

Sempre quando viajo trago boas lembranças dos lugares, mas o contato com os amigos e pessoas ao redor deixam o local muito mais fantástico. Digo isso porque nesta viagem ao Vale do Capão não visitamos nem um terço dos lugares que ainda se tem para conhecer, a explicação para isto é valiosa, conversas até o dia raiar nos faziam dormir de madrugada, logo acordar não era uma das ações mais fáceis. 

 Comentários a parte, vamos ao que interessa: o segundo dia de viagem. Depois do café, que vocês já conhecem, fomos à trilha, desta vez bem mais cansativa que a primeira. Muitas pedras para pular, pequenos riachos, a água estava mais gelada que no primeiro dia, levamos cerca de 40 minutos para chegar a cachoeira da Angélica.

Alguns terrenos eram um pouco inclinados, eu que não sou nada equilibrada, tinha a todo momento que apoiar as mãos no chão para passar de uma pedra enorme para outra, mas consegui chegar inteirinha no local. Creio que de todos os passeios, esse foi o que menos agradou.


Para entrar na Cachoeira é preciso atravessar um laguinho, mas a água estava muito gelada mesmo, o que fiz? Tirei o tênis e coloquei os pés dentro do “gelo” para tentar ir acostumando com a temperatura, mas não teve jeito.  Fiquei apreciando a visão, o meu namorado, corajoso caiu na água, mergulhou e ainda explorou outros lugares que não tive como ir por causa da água, mas as fotos podem traduzir bem o clima da Cachoeira de Angélica.

O local é bastante visitado, nosso grupo não ficou sozinho um minuto enquanto estivemos por lá. A explicação também é porque o lugar é passagem para outra cachoeira chamada de Purificação, dizem que a água é a mais gelada de todas, quando você toma banho, até a alma vai embora de tão fria. Purifica tudooo.

No terceiro dia fomos para Riachinho, uma cachoeira de quase 10 metros, tem uma visão belíssima, acho que foi o passeio mais legal, e neste dia eu consegui cai na água gente! Viva pra mim!

A trilha para Riachinho tem um pouco de altura, alguns declives, mas nada que impeça alguém de chegar, também fácil acesso, mas muito movimentada.

Logo que você chega, parece que a natureza realiza um processo de hipnose, a cachoeira é linda, muita alta, uma cor amarelada que dá o toque final a pintura esplêndida que é Riachinho.

Fiquei um tempo paralisada, depois tomei coragem e disse a mim mesma “Hoje vou enfrentar o frio”. Caí na água de uma vez só,  tem umas piscininhas rasas que dá para relaxar bastante.

À noite fomos a uma pizzaria muito famosa no Vale do Capão que serve pizza com ingredientes naturais, a mais gostosa é a de cenoura. Não há como descrever aquele sabor, nunca tinha comido uma pizza tão saborosa. Ela possui a massa fininha, mas o recheio tem um gosto viciante, acho que comi umas seis fatias brincando.

Depois, na pracinha da cidade teve a apresentação da banda de reggae Mosiah de Salvador. Eles tocaram MPB e muitos covers de Bob Marley, o pessoal, claro foi a delírio. A comunidade é bem alternativa, você observa muitas pessoas de dreadlock, saias indianas. O consumismo é rejeitado na região, na pizzaria mesmo, não servia coca-cola. A garçonete respondeu “não trabalhamos com este sistema” quando perguntamos pelo refrigerante.

O Vale do Capão é bem inspirador no sentido de largar tudo e apreciar o que existe de mais bonito na vida, o convívio com as pessoas e o prazer que é estar em contato com a natureza.

No dia seguinte, viajamos de madrugada para Feira de Santana para fugir do engarrafamento, o domingo foi todo na estrada, mas valeu a pena... já estou com saudades!

Monday, June 27, 2011

Vale do Capão : Vibração ao extremo com as belezas naturais



Neste São João fiz uma viagem inesquecível ao Vale do Capão, pequena comunidade situada na Chapada Diamantina – Bahia.

Foi a primeira vez que visitei a região, não pude ver a beleza se aproximando da cidade logo na chegada, pois peguei um engarrafamento terrível na saída de Feira de Santana, e como a viagem dura cerca de 5h, acabei chegando no Vale do Capão por volta da meia noite de quarta-feira (22).

Eu e mais um grupo de oito amigos alugamos uma casa. Super espaçosa e com uma visão linda para uma das serras da chapada. Não estávamos preocupados em fazer turismo, a intenção da viagem foi relaxar e ficar em contato o máximo possível com a natureza, algo difícil de fazer na cidade.

Celular, televisão, computador... nem pensar. Nada disso podia ser utilizado por nós e não foi. O som do carro foi o único aparelho que compartilhamos nas poucas horas em que ficamos em casa.


No primeiro dia, nossos amigos, que já conheciam a cidade nos levaram para tomar café da manhã num lugar chamado “Galpão”. Lá os ingredientes são naturais, o sanduiche é maravilho, tem cuscuz, ovos fritos, suco, café com leite e um pão integral delicioso que nunca tinha provado antes.

Para dizer a verdade, a culinária do Vale do Capão é muito boa. Em um dos dias que tomamos o café neste local, houve apresentação de malabarismo. Há muitos estrangeiros na cidade, e eles vivem de todo tipo de arte que você pode imaginar, música, circo, artesanato, etc.


Depois de alimentados, fomos fazer trilha até chegar a cachoeira chamada Conceição dos Gatos. A andada não demora muito, não há dificuldade, a parte que é menos agradável é passar pelas pedras entre os pequenos riachos, mas é bem tranqüilo. A paisagem é linda, durante a caminhada um laguinho nos acompanha pela trilha, é bem bonitinho.

A cachoeira tem uma visão fantástica, nós ficamos por cima dela, e de lá dá para tomar banho bem pertinho do fim, apreciando a altura e as serras que rodeiam a região. Nós passamos a tarde toda lá, levamos isopor com cerveja e outras bebidas, e nas mochilas muito lanche e doce. Não há ninguém vendendo nada por lá, então é bom levar lanche a vontade e muita água.

 Detalhe. Nós viajamos no início do inverno, então a cidade fica muito fria nesta época. Eu achei impossível ficar dentro da água, estava super gelada, comparei a temperatura a colocar a mão num balde de gelo.  The same thing.

Como eu sou do tipo que não precisa tomar banho de cachoeira para curtir o local, a temperatura estava ótima para apreciar e contemplar. O bom é que não choveu e tinha um solzinho perfeito para aquecer o frio.
Gente, uma dica para quem for fazer trilha, é bom comprar tênis específico para passar por terra e água. O meu tênis era de academia, escorregava muito nas pedras, tive bastante dificuldade em alguns momentos da viagem, mas deu para levar. Se você gosta de fazer trilha, vale a pena o investimento em um bom calçado.

Em época de festejo junino, claro, não poderia faltar o forró na pracinha da cidade. A noite o frio é o pior inimigo da gente, a temperatura cai muito então, tirem os casacos bem grossinhos do armário e levem, pois quem não está acostumado com gelo, vai ter um treco. Eu mesma, no primeiro dia fiquei batendo queixo de frio. Bom, voltando ao forró lá não há grandes atrações, são bandas muitas vezes da própria cidade mas sabem como fazer o público dançar até o dia amanhecer.

Ainda tem mais sobre a viagem, eu posto amanhã mais informações sobre os outros lugares que visitamos senão o post fica muito grande.
 Até!

Wednesday, June 22, 2011

Festa de São João é sinônimo de viagem para mim

 Um das maiores festas do nordeste, o São João está chegando e eu que não perco já estou com as malas prontas para viajar. Hoje, estarei indo para o Vale do Capão, Chapada Diamantina, e vou registrar tudo para depois relatar aqui no blog.

Então, fiquem ligados, porque quando eu voltar vai ter posts maravilhosos sobre a natureza.

Com oestou no clima... a música que combina como neste exato momento é:

A Vida do Viajante - Luiz Gonzaga

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras por onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei.
Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a saudade no coração
Minha vida é andar...
Mar e terra
Inverno e verão
Mostra o sorriso
Mostra a alegria
Mas eu mesmo não
E a alegria no coração
Minha vida é andar...

Saturday, June 18, 2011

12 horas de viagem pelo interior baiano


E para não ficar em casa sem fazer nada, resolvi participar da rotina de trabalho da minha prima, que é gerente de um dos setores da Avon. Não vou falar neste post críticas sobre a empresa, não cabe a mim isso, mas relatar apenas o dia, eu nunca viajei tanto, para vários lugares em 12 horas.

Ás 8:00 saímos de Feira de Santana e fomos para Bravo, um interior do interior, do interior... Lá uma reunião foi realizada, explanação de produtos, dicas de vendas, e pedidos entregues a gerente.   Cidade humilde, só tem uma pracinha, pude ver uma movimentação de forró, mas quando corri para observar da janela, já tinha passado. Acho que era alguma festa passageira.

De Bravo, viajamos para Ipirá, local onde minha prima reside alguns dias da semana, cidade sede. Organizamos os papeis, as caixas que precisam ser entregues, os produtos para devolução, almoçamos e próximo destino: Baixa Grande.

Já tinha ouvido falar bastante deste lugar quando era mais nova. Um colega meu sofria bulyiing dos outros por ser deste local, mas eu não entendia por que...  E ontem pude ver que a cidade é pequena, local de pessoas humildes também, feirinha, praça, bem interior mesmo. Reunião, reunião .... Em Baixa Grande, percebi a quantidade daqueles carros chamados “pau de arara”, pessoas sendo transportadas sem o mínimo de segurança.  Eu achava que era coisa de reportagens da Globo, que nunca visualizaria um, e ontem, foi o que mais vi na cidade.

Na viagem, agora para Mundo Novo, vi a pobreza chegando ainda mais. Moradias fixas no acostamento de pistas. Acredite. Barracos, pessoas morando distante de cidades, de água, comida, de tudo. Fiquei me questionando como elas poderiam sobreviver ali, no meio do nada. Mas a resposta não veio a mente.

Um caso engraçado. Avistei homens no cavalo com aqueles chapéus e roupas típicos de cangaceiro. Mas eu achava que hoje, eram apenas fantasias, mas não, as pessoas ainda se vestem daquele jeito, roupinha de couro, eu estava achando o dia bem folclórico.

Chegamos a Mundo Novo, a cidade, bem organizada, estava fazendo frio, e tinha uns redutores estranhos. Sabe o quebra-mola? É comum que a ondulação seja exposta, ou virada para cima. Mas, neste local não, é como se fosse um buraco em forma de onda e quase não tem sinalização, se algum carro vir em alta velocidade, é um desastre. Chegando lá, mais reunião e coisas do trabalho que prefiro não comentar.

Chorei de rir com os filhos das vendedoras, menino inventa tanta arte... Enquanto minha prima trabalha fiquei observando as duas crianças que não paravam de aprontar. Eles pegavam pedra, quebravam, jogavam na parede, depois corriam, fizeram xixi na porta dos vizinho, brincaram de cuspir... e a mãe já aos gritos.

De Mundo Novo, fomos a Macajuba, o pior lugar. Pista de acesso totalmente esburacada, sem iluminação, sinalização, o mato estava alto, as placas cobertas, foi horrível. Chegamos lá, não demoramos muito. 
Voltamos a Ipirá, ah, esqueci de dizer, já tínhamos quase 10h de viagem....

Depois de abastecermos o carro, voltamos a Feira de Santana, ponto inicial, mortas de cansadas, mas durante a viagem muito som, rock para animar um pouco, e detalhe, minha prima faz esse percurso todo mês. Eu gostei do dia, nós colocamos todos os papos em dia, conversamos muito, no final as duas roucas, quase sem voz...
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