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Tuesday, May 26, 2009

Quando fui chamada de puta

Toda mulher tem um caso sobre discriminação de gênero a contar. Meu blog é repleto dessas historinhas nada agradáveis, mas que provam o quanto sofremos dia-a-dia. E hoje, por incrível que pareça, quando pisei os pés em território Cachoeirano, fui difamada sem motivos prévios.



Meu dia não começou muito bem em relação à viagem. Quando vou à Cachoeira, costumo a optar pelo transporte alternativo do que viajar de ônibus. Primeiro porque a diferença de tempo é estúpida. Na van chegamos dentro de 50 minutos na cidade. De ônibus passamos uma hora e meia, ou até duas horas com um pouco mais de azar.



Já em trajeto, antes de chegar ao destino esperado, passamos por uma cidadezinha chamada Belém. Como o carro estava em velocidade não pode parar a tempo de atender ao chamado de dois passageiros. O motorista freia, e volta à pista de ré. Sem ter muita noção do solo, acaba atolando o carro numa faixa de lama.



Todos os passageiros são obrigados a sair do carro para que os rapazes e o motorista empurrem o carro até ele conseguir sair. Por um momento de reflexão, eu e mais duas colegas atentamos para um fato. Foi um ato de extrema estupidez de o motorista jogar o carro na lama. Mas ninguém o criticou. Se fosse uma mulher que tivesse dirigindo o veiculo tenho plena convicção de que falariam aquele velho ditado: “Mulher no volante é nisso que dá”.



No entanto não houve criticas e depois de presenciar a cena de uns dez homens empurrando o carro, nós conseguimos prosseguir a viagem em paz.



Mas antes de acontecer tudo isso, estávamos conversando também sobre a visita do Presidente Lula a Cachoeira, para a inauguração do prédio da minha universidade. Não compareci ao evento devido ao fato anteriormente citado no último post. Então estava eu, curiosa para saber como tinha sido o evento.



Logo nas primeiras palavras de Lorena senti que nada tinha ido bem. Perdi muito o brilho e encanto que Lula parecia transmitir a mim. Ela contou-me que todos os alunos, antes do Excelentíssimo chegar, foram revistados não somente para saber se tinha alguém armado, mas para calar a voz dos estudantes que não poderia portar faixas nem apitos. Pensei comigo, logo Lula, que participava de greves, protestos, agora quer conter o povo? Não seria esse um ato ilegal? Afinal temos o direito de protestar, não?



Enfim, ela seguiu contando-me que o Presidente não deu ouvidos aos apelos e faixas que conseguiram burlar a segurança. Não parecia que haviam pessoas indignadas ali, afinal a inauguração de um prédio pressupõe que ele venha a ser utilizado depois. Mas há quase três anos alunos vinham estudando em salas cedidas pelo Colégio Estadual da Cachoeira, sem o mínimo de infra-estrutura para os universitários que além de salas, precisam de laboratórios específicos, biblioteca, uma demanda maior de professores e espaço para a reflexão.



Pior ainda me senti ao ler a matéria que saiu no jornal A Tarde sobre o fato. As falas do Presidente demonstram total descaso com a educação, mas exaltação por ter somado ao Brasil mais uma universidade, independentemente de boa qualidade ou não.



Chegando a Cachoeira, passamos por uma ruazinha próxima do prédio onde estamos estudando. E de cara encontramos um rapaz completamente revoltado com a postura do dia anterior dos estudantes ao Presidente. E quem paga o pato nessas horas? Nós mulheres! Afinal tudo o que não presta é atribuído a nós. Ele simplesmente falou olhando para nós: “Essas putas da Universidade só prestam para isso. Fazer baderna. Como é que vaiam Lula daquele jeito, como podem ter agido daquela forma. É isso mesmo, são todas putas, um bando de putas”.



Como dizem por aí, pimenta nos olhos dos outros é refresco.

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