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Tuesday, November 3, 2009

A moda no corpo nu

A moda, tomada como fenômeno social, está presente desde quando nos vestimos com uma camisa básica azul e uma calça jeans cargo, até quando nos submergimos em nossa individualidade e nos despimos em frente ao espelho.

Para o senso comum, moda significa glamour ou aquilo que está em evidência, entretanto aprofundando mais essa experiência constata-se que moda vai muito além do sentido indumentário do termo. Moda pode expressar arte, cultura, classe social ou mesmo padrão estético.


Representa arte quando estilistas ou mesmo qualquer um produtor de moda, busca na arte inspiração para suas criações. Ele incute na roupa significados, mensagens e valores que o tecido por si só não traria. Um bom exemplo disso foi o desfile ocorrido em 2004, no São Paulo Fashion Week, onde o estilista Jum Nakao montou sua apresentação a partir de papel vegetal, ou seja, todas as modelos vestiam esse tipo de papel como forma de indumentária. Como bem argumentou Glória Kalil, o ato não se trava de um desfile de moda, mas era um dos significados de moda.
A moda também está inserida no contexto econômico quando une pelos trajes grupos sociais. É fácil perceber as classes sociais através da moda, afinal a alta costura por si só é um instrumento isolado das pessoas inseridas na elite econômica do país.

No centro, percebem-se as classes médias vestidas pelo estilo apontado nas passarelas, pois muito do que é criado vem da observação nas ruas, ou seja, a moda é uma recriação de criações já existentes.

E por fim, as camadas pobres se expressa através do que se vê na novela, na televisão. A individualidade é mais difícil de encontrar neste ponto principalmente pelo fator educação.

Dei alguns exemplos de como a moda por se expressar, mas a dúvida fundamental para algumas pessoas é, e o corpo nu, ele possui moda?

A meu ver sim. Quando uma mulher modela o seu corpo através de cirurgias plásticas, ela não só está modificando o natural como também está buscando por um padrão de beleza que a moda impõe. Um comportamento que quase já está naturalizado na sociedade é a implantação dos silicones nos seios. Hoje, não só as nádegas volumosas significam perfeição em uma mulher, é preciso que ela também tenha seios fartos, por isso é se faz necessário à cirurgia pra a obtenção deste modelo.

Veja que a moda é ciclo vicioso até porque ela é regida pela economia, e esta precisa estar em crescente desempenho. Por isso, um dia são as nádegas que precisam ser remodeladas, outro dia são os seios, o nariz, os lábios e o que mais não tiver de acordo com o padrão Barbie Nacional de beleza. E a inconformidade com o corpo produzida sistematicamente pelos meios publicitários e também informativos acaba por levar as mulheres a crêem que devem seguir a moda.

O corpo então, nu e puro, existe, mas em decadência. Um simples tatuagem já modifica aquele corpo então iniciante e o que se percebe é a transformação estética deste para uma inserção seja numa camada popular, num grupo social ou até mesmo num padrão de beleza estimado.
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