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Thursday, September 15, 2011

Por apenas um momento achei que....



E eu nem imaginava que sem perceber você apareceria assim, de surpresa, sem intenção, ato involuntário, apenas paixão. Ficar distante e saber que estar sendo observado, apenas para provocar angústia e proporcionar ao analisador muito mais que um segundo diário. Esquecer tudo e se deixar levar pelas artimanhas de um sorriso, desabrochar como flor e mostrar o miolo desse pensamento, do qual dor não poderia tocar. O prazer ali se encontra, engraçado como tua liberdade me encanta e eu preso aqui, nesse ruído, fazendo mais e mais, zumbido. E por que tu, livres como é não quebra esse coração algemado? Medo e desejo de continuar sendo mais admirado. Parado, estático, assim me encontro. Reação demanda força de vontade e a minha energia não serve nem para fogueira da São João. Agradeço os segundos dessa imensa alegria e sem me despedir te dou as costas derramando o oceano de agonia.

Wednesday, August 10, 2011

O dia em que esqueci o presente



Fui convidada a uma festa de aniversário. O convite havia chega com antecedência, há mais ou menos um mês. Com ele em mãos, fiquei observando os detalhes, as letras douradas, a imagem do bolo e o sorriso de felicidade da anfitriã.

 Não tinha vontade de ir, conversar bobagens com todas aquelas pessoas e fazer aparecer o sorriso amarelo diversas vezes em um só dia.

Aniversários se comemoram todos os anos, a idade muda, mas a festa e os convidados são os mesmos.   
Não tinha escolha, era um dia importante para minha irmã, por isso não poderia faltar.

Tomei um banho, vesti uma roupa qualquer e que me agradasse. Peguei um táxi e fui direto a casa de Flavinha. Cheguei um pouco atrasada, a festa estava cheia. Todos pararam o que estavam fazendo e olharam para mim. Senti-me um lixo, sempre me incomodo com o ar de análise das pessoas. Não entendi o motivo das sobrancelhas enfezadas dos convidados. Alguns até me cumprimentaram, outros fingiram não me ver.

Segui a procura da aniversariante e lá estava ela, sorridente, com um vestido longo verde e uma maquiagem meio exagerada para sua idade. Quando me viu, Flavinha deixou tudo o que estava fazendo e me deu um abraço. Desejei lhe felicidades e todas aquelas bobagens que a gente decora, não por mal, mas porque falta criatividade mesmo.

Durante o abraço, percebi que as minhas mãos estavam vazias. Esqueci o bendito presente. Aliás, nem me lembrei de comprar. Flavinha não se incomodou com isso, disse que o mais importante era a minha presença.
Mamãe chegou alvoroçada, me encheu de desaforo e começou a analisar o caso com os outros convidados, pronto, era o motivo que faltava para as pessoas saírem da festa com um assunto em pauta.

- Ahh.. como pode, a própria irmã, esqueceu do presente! Que absurdo!

Fui à festa para ser julgada. O réu, o centro das atenções, minha irmã coitada, perdeu o brilho, sumiu.
Peguei um copo de wishky e fiquei ali sentada, sozinha. O meu ato era pecaminoso, parecia ter alguma doença infecciosa, afinal ninguém queria chegar perto da irmã malcriada.   

A hora do “parabéns” chegou. Todos ficaram em volta da mesa, o bolo no centro juntamente com Flavinha. Antes de começarem a cantar pedi um minuto de atenção. Novamente as sobrancelhas enfezadas viraram para mim.

Flavinha já conhecia o meu temperamento, ficou assustada, deu aquele sorriso amarelo.  Confesso que já estava um pouco alterada, o álcool fazia efeito.

Recitei uma poesia, umas frases rimadas, pura emoção. Chorei, chorei muito. A última coisa que senti foram as mãos me tocando para segurar o corpo em direção a terra. E tudo por causa de um presente.

Thursday, July 21, 2011

É bom ter esperança, ruim é depender dela



Há meses guardei-o num canto bem escondido. Não queria lembrar-me de sua existência que gerou tantos momentos insonháveis, e no fim, acabou como poeira levada ao vento.

Ahh.. os sonhos. A gente tenta fazer de tudo para que sejam realizados e quando não conseguimos a frustração nos envolve. De um jeito ou de outro estamos sempre com um pé no passado, as recordações rondando os pensamentos com imagens de alegria que não nos deixam em paz.

Felicidade demais incomoda. Perturba os outros como forma de inveja e te deixa dependente quando você não mais a tem. É como uma garrafa de vodca, você bebe aos poucos saboreando cada gota e quando termina, você quer mais, mais e mais. A diferença é que tem vodca boa e barata para comprar a qualquer momento, e a felicidade, se compra?

A minha estava guardada num case de baixo esquecido. Cada música que ouvia lembrava os momentos de composição, as aventuras de ensaio, a dificuldade para se obter aquilo que se quer e principalmente a companhia transfigurada em amizade.


Mas a gente muda. Não sou mais a mesma e elas também não. Eu já não me reconheço em certas atitudes e elas...eu nem sei mais. No entanto, algo não nos deixa cair em esquecimento, estamos sempre unidas, mesmo que distantes. As notas fazem isso. Elas se entrelaçam uma na outra, formando o que chamamos de música e para nós, o sentido da vida reside ali.

Passamos meses envolvidas em mil atividades, nada relacionado a música e quando temos a oportunidade de conversar, o assunto volta em chamas, como a Fênix que retorna das cinzas. Não é a primeira vez que isto acontece. Já revivemos isso em incontáveis momentos, parece uma espécie de Deja Vú chiclete, difícil de retirar.

No entanto, quando o sentimento comum é reacendido eu não tenho escolha, abro a porta para um novo mundo e vou caminhar para o que tiver que ser.
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