Há meses guardei-o num canto bem escondido. Não queria lembrar-me de sua existência que gerou tantos momentos insonháveis, e no fim, acabou como poeira levada ao vento.
Ahh.. os sonhos. A gente tenta fazer de tudo para que sejam realizados e quando não conseguimos a frustração nos envolve. De um jeito ou de outro estamos sempre com um pé no passado, as recordações rondando os pensamentos com imagens de alegria que não nos deixam em paz.
Felicidade demais incomoda. Perturba os outros como forma de inveja e te deixa dependente quando você não mais a tem. É como uma garrafa de vodca, você bebe aos poucos saboreando cada gota e quando termina, você quer mais, mais e mais. A diferença é que tem vodca boa e barata para comprar a qualquer momento, e a felicidade, se compra?
A minha estava guardada num case de baixo esquecido. Cada música que ouvia lembrava os momentos de composição, as aventuras de ensaio, a dificuldade para se obter aquilo que se quer e principalmente a companhia transfigurada em amizade.
Mas a gente muda. Não sou mais a mesma e elas também não. Eu já não me reconheço em certas atitudes e elas...eu nem sei mais. No entanto, algo não nos deixa cair em esquecimento, estamos sempre unidas, mesmo que distantes. As notas fazem isso. Elas se entrelaçam uma na outra, formando o que chamamos de música e para nós, o sentido da vida reside ali.
Passamos meses envolvidas em mil atividades, nada relacionado a música e quando temos a oportunidade de conversar, o assunto volta em chamas, como a Fênix que retorna das cinzas. Não é a primeira vez que isto acontece. Já revivemos isso em incontáveis momentos, parece uma espécie de Deja Vú chiclete, difícil de retirar.
No entanto, quando o sentimento comum é reacendido eu não tenho escolha, abro a porta para um novo mundo e vou caminhar para o que tiver que ser.
