Este é um post escrito totalmente em relação a carros. Caso você não se interesse por esse assunto ou simplesmente não queira saber a emocionante história envolvendo-me e um Camaro, feche esta janela e vá cagar. Obrigado desde já.
Era uma vez um pequeno garoto chamado Fabio Brust, que tinha um estranho, porém bonitinho fascínio por carros, especialmente esportivos de todo e qualquer tipo.Ele morava na cidade universitária de Santa Maria, em um apartamento com sua irmã. Ele não possuía carro, mas adorava andar de ônibus compartilhando seu assento com a dona gorda do seu lado enquanto observava carros do lado de fora. Infelizmente, sendo uma cidade de estudantes, Santa Maria não possuía muitos esportivos, levando-se em conta o fato de que nenhum estudante é rico. Em geral.
Seus colegas conheciam bem sua obsessão carroniana, levando-se em conta que em uma viagem a São Paulo ele fizera um escândalo ao ver automóveis como Porsche Carrera 4S, Jaguar XF, Ford Mustang GT500, Ford Cobra, entre outros. Ela ficou ainda mais evidente certo dia, quando eles haviam entrado em massa em um ônibus para ir no cinema.
O filme que eles iam assistir era "Transformers: O Lado Oculto da Lua" (que terá sua crítica publicada aqui muito em breve). Já empolgado com a hipótese de assistir um filme com exaltação automotiva, o garoto empolgou-se ao ver, de dentro do ônibus, um pacato Volvo C30 (o carro do Edward de "Crepúsculo") estacionado em uma concessionária Honda (isso não faz sentido). Sua empolgação foi ainda maior quando, mais adiante, ele avistou um lindo Chevrolet Camaro SS, amarelo, sem nenhum tipo de ornamentação, parecendo quase nu em toda a sua amarelissidade. O único outro esportivo que ele já vira em Santa Maria fora um magnífico Porsche Cayman, que ele não tinha ideia de onde havia se metido desde a última vez em que o havia visto.
O garoto, emocionado, bateu com as mãos no vidro e grudou seu rosto na janela, tentando absorver, com seus olhos, toda a essência esportiva e altamente automotiva e sedutora do carro amarelo do lado de fora, que passou em segundos. O sorriso de verdadeira felicidade em seu rosto era a única coisa que podia demonstrar o que ele sentia naquele momento. Nenhuma palavra poderia exprimir o sentimento dentro de seu coração. Seu coração se tornara, de um momento para outro, amarelo.
Já no dia seguinte, emocionado com a expectativa de poder ver o mesmo carro, na mesma concessionária, e sentir outra vez toda a emoção que a visão dele era capaz de lhe proporcionar, ele forçou duas de suas amigas (a pedido delas, com as seguintes características: lindas e abçolutas) a pegarem o mesmo ônibus do dia anterior.
- EU QUERO VER O CAMARO! - foi o que ele disse, e o fogo em seus olhos foi suficiente para convencê-las de que era melhor fazer o que ele queria antes que o pior acontecesse.
A viagem inteira, o garoto não pronunciou uma palavra sequer, tamanha era a sua expectativa e vontade de ver o carro. À altura da concessionária, ele já não aguentava e estava prestes a pôr sua cabeça para fora da janela, tentando enxergar seu amor amarelo. O ônibus acelerou, passou pela revendedora de veículos e o garotinho virou-se para suas amigas, com os beiços virados para baixo e os olhos marejados em lágrimas.
- Venderam meu carrinho... - disse ele, olhando para baixo, desolado.
Desconsolado, ele havia perdido seu chão. Nada mais fazia sentido, exceto o fato de que agora havia um lugar vazio em seu pequeno e malcuidado coraçãozinho. Um lugar que devia ser preenchido por um esportivo de 400cv. Como poderia, então, ele viver sabendo que nunca mais haveria um Camaro esperando para ser visto por ele enquanto ele estivesse dentro de um ônibus em movimento? Qual seria a graça de pegar ônibus, se não havia carros legais para serem vistos? Qual o sentido de tudo isso, afinal?
Moral da história: a felicidade reside em um sorvete de duas bolas, que o garoto tomou para afogar as mágoas poucos minutos depois. E, logicamente, em esportivos com muita cavalaria e cores chamativas.

Façam uma boa ação. Sintam o calor no coração e a felicidade de ter auxiliado mais uma criança a possuir seu sonho de consumo automobilístico. Vamos colaborar uns com os outros e fazer uma caridade para mais essa pobre alma sem salvação. Não custa nada!
Hehe...
Quer dizer... R$185.000,00 não é quase nada, né?