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Tuesday, September 27, 2011

Caminhões: mercado aponta para baixo

Paulo Ricardo Braga, AB 
www.automotivebusiness.com.br

Roberto Cortes, presidente da MAN Latino America
O mercado de caminhões, que subia a rampa de produção e vendas, troca de marcha. A corrida nas linhas de montagem perde fôlego e nem mesmo a virada do ano, quando passa a vigorar a legislação P7 para os pesados, figura como bicho-papão para os encarregados das operações de manufatura. O esfriamento do mercado já está acontecendo e as encomendas dos fabricantes de veículos aos fornecedores traduzem a nova realidade. Os fornecedores trabalhavam no início do ano com uma perspectiva de produção de 215 mil caminhões acima de 6 toneladas , mas recuaram as projeções para 210 mil unidades e admitem que podem não ir além dos 205 mil. Para 2012, a estimativa atual é de 190 mil unidades. No segmento de ônibus as projeções apontam o mesmo volume para 2011 e 2012: 47 mil unidades. Mas há quem aposte em números menores, por conta dos reflexos dos cenários negativos na economia internacional.

Os registros da Anfavea (que não incluem os veículos CKD) até o final de agosto ainda não evidenciavam a mudança na trajetória do mercado, computando a montagem de 140.785 caminhões no acumulado do ano. No mesmo período de 2010 a contagem era de 124.464 unidades. Em agosto ocorreu o maior volume de montagem mensal do ano, com 21.991 unidades. Agosto foi o mês com maior produção em 2010 (18.304 unidades). Em 2010 foram produzidos 191.321 caminhões e licenciados 157.696, segundo dados da Anfavea. Em 2009 foram montadas 123.633 unidades e emplacadas 109.873.

Caminhões importados de países que não têm acordo de comércio com o Brasil vão pagar 30 pontos a mais de IPI. É o caso, por exemplo, dos Actros que a Mercedes-Benz está trazendo da Europa, arcando com um aumento da ordem de R$ 100 mil por unidade. Vão ficar na mesma condições os veículos das chinesas Foton e Sinotruk.

Os fabricantes locais ainda devem estar fazendo as contas para checar se a família de veículos montados aqui vai chegar à média de 65% de conteúdo local para evitar os 30 pontos extras de IPI. É possível que alguns ajustes tenham que ser feitos. Já para Paccar/DAF, NC2 e Foton, que pretendem abrir fábrica no País, o tranco será maior. Pelo regime automotivo, terão que chegar aos 65% de conteúdo local, comprovar investimento em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento e, ainda, a realização de pelo menos seis atividades fundamentais em manufatura.

É difícil imaginar, no entanto, que o governo, por meio do MDIC, deixe de negociar certas flexibilidades nos empreendimentos que demonstrarem efetivo compromisso em uma nacionalização progressiva. Os newcomers não devem ter grande dificuldade em encontrar parceiros locais para o fornecimento de sistemas na área de cabines, motor, transmissão e chassis, além de controles eletrônicos e pós-tratamento.

Efeito da legislação

Como os caminhões P7 (Euro 5) vão custar 8% a 15% mais caro que os P5 (Euro 3), é previsível uma antecipação de compras dos modelos atuais. Os veículos P5 faturados para a rede de revendedores poderão ser emplacados até fim de março. O que os fabricantes ainda não detectaram com precisão é o nível das compras antecipadas.

O stress na cadeia de produção, no entanto, deve ser menor do que o imaginado - esperava-se um sobressalto no final do ano e uma barriga nos primeiros três meses de 2012, com a criação de problemas na cadeia de suprimentos. Com o esfriamento do mercado, as curvas de produção e vendas ficarão mais planas, sem grandes choques.

Durante o lançamento da linha de caminhões 2012, já com as tecnologias P7, o presidente da MAN Latin America, Roberto Cortes, admitiu que os fabricantes estariam conversando com o governo para suavizar a passagem na legislação. Em reunião com jornalistas no Hotel Intercontinental, no Rio de Janeiro, ele enfatizou a importância de evitar picos de trabalho na cadeia de produção até dezembro e uma súbita desaceleração na montagem nos primeiros meses de 2012, trazendo desarranjos ao supply chain e às cadeias de produção e distribuição.

A declaração de Cortes reflete a preocupação de outros executivos do setor, pressionados a cumprir um rígido cronograma para assegurar a disponibilidade dos veículos P7 em janeiro. “Estamos conversando com o governo para evitar os transtornos”, disse Cortes. Para ele, há algumas soluções possíveis, que podem neutralizar o efeito do aumento de preços e eliminar o efeito das compras antecipadas, como o Finame Verde para Euro 5, com taxas de 4,5%, equivalentes às do Pro-Caminhoneiro PSI. “Haveria uma compensação de preço, equalizando Euro 3 e Euro 5”, observa o executivo. Outras possibilidades seriam uma isenção temporária de impostos das peças importadas relativas à nova tecnologia e uma redução de tributos nas vendas de caminhões e ônibus com a tecnologia Euro 5.

Há quem defenda uma passagem menos abrupta de P5 (Euro 3) para P7 (Euro 5), com a introdução progressiva das novas tecnologias e volumes obrigatórios progressivo para veículos novos. O governo, no entanto, quer evitar a repetição do desgaste ocorrido na frustrada passagem de P5 (Euro 3) para P6 (Euro 4), que levou a um acordo envolvendo o Ibama, Ministério Público, fabricantes de veículos e fornecedores de combustíveis para o cumprimento de um cronograma inflexível que culminará com o salto de P5 diretamente para P7 em janeiro. 

Sunday, July 3, 2011

“O fim está próximo…”

Bom meus amigos e leitores do BA, depois de alguns acontecimentos no mundo, muitos dizem ser o “sinal dos tempos”, avisando que o “prazo de validade” do mundo é dezembro de 2012. Bom, quanto isso pode ser coincidência ou não, mas reparei que no mundo automotivo muitas coisas que pareciam improváveis estão acontecendo.


Sendo assim, selecionei 10 tópicos que mostram que o “fim do mundo automotivo” talvez esteja próximo. Vamos ao nosso “Top 10”:


Ferrari FF
Ferrari FF[1] Ferrari FF:  carroceria “shooting brake” e tração integral


Para muitos fãs da marca, Ferrari que se preze tem que ter motor V8 ou V12, ser um “bicho bravo” de guiar e nem ter certos “mimos”, como direção hidráulica e até mesmo rádio (no caso da F40, considerada a “última Ferrari de macho”, nem maçanetas para abrir a porta por dentro existiam, mas apenas uma cordinha e nada mais!). Ver a nova Ferrari FF é praticamente o “fim dos tempos”: seu desenho segue a linha “shooting brake” (que eram cupês transformados em pequenas peruas para transportar armas de caça, isso na década de 1960, salvo engano), e tração integral, algo que praticamente nunca iria existir em uma Ferrari! Mas olha ela aí… E foi lançada em 2011 ainda por cima. Coincidência???


A título de curiosidade: a Ferrari já havia “quebrado as tradições” há um bom tempo, fazendo carros que fugiam às “regras” da empresa. Uma delas, só pra servir como exemplo, era a 512BB (Berlinetta Boxer), onde seu motor era um 12 cilindros boxer de 5 litros. Como os motores boxer levavam a referência a Porsche, a Ferrari chamou esse motor de “V12 180°”, só para despistar. Vai entender essa! O.o*


Marcas de carros tradicionais “Made in China”
Feito na China Marcas como BMW, MG, Volkswagen e GM são algumas das muitas que instalaram fábricas no país asiático


Depois daquela crise de 2008, muitas marcas famosas acabaram por desaparecer ou foram vendidas para empresários chineses. Hoje, pra citar de exemplo, você pode comprar um Rover ou um MG, carros com a tradicional “qualidade inglesa” e encontrar na plaquinha de identificação a inscrição “Made in China”! Muitos dizem já terem visto alguns BMW feitos lá rodando no Brasil. Imagina a cena: um manolo pagando de fodão numa BMW feita na China… Seria “TENSO” O.o* não???


Invasão de SUV´s
Montagem SUV´s Alguns dos modelos mais vistos nas ruas brasileiras


Antigamente, marcas premium como BMW, Audi, Mercedes-Benz e afins não tinham a menor noção ou pretensão de construir um SUV, até que a Mercedes-Benz “reabriu” caminho com o então lançamento da Classe M em 1997 (quando digo reabrir caminho, é porquê quem iniciou isso tudo foi a Lamborghini com seu utilitário LM002, em meados de 1986). Hoje marcas como Honda, Nissan, Volkswagen (que antes só fazia carros de passeio e alguns utilitários leves), BMW, Audi, Cadillac (carros de luxo e esportivos) e até mesmo a Porsche (fabricante de esportivos) aderiram a onda dos SUV´s.



Muitos já dizem que a Bentley e até a Ferrari estariam estudando a criação de seus SUV´s, sendo a Ferrari a mais adiantada nas pesquisas (até tu, Ferrari?!?!? O.o*)! Fora isso, as ruas brasileiras tem recebido muitos SUV´s, mostrando que o brasileiro tem ampliado o leque de opções, antes limitados a carros de passeio e pick-ups. Mas isso causa um efeito colateral: por terem um porte um pouco maior que os carros de passeio, muita gente acaba “se impondo” no transito, bem no estilo “sai da frente, eu tenho um SUV!”, e o resultado acho que muitos já devem saber…



Compactos/Populares “Premium”
Montagem populares de luxo [1] Ícones como Mini e Fusca, sinônimos de carro de baixo custo, retornaram como carros de grife


Os mais antigos ou os auto entusiastas de plantão devem se lembrar do surgimento do Morris Minor (ou simplesmente  “Mini”): foi uma revolução no setor automotivo introduzindo novos conceitos, tais como carroceria hatchback, motor transversal e tração dianteira. Um pouco antes surgia o Fusca, também revolucionário por usar um tipo diferente de motor, o boxer. Em ambos a sua montagem era fácil e sua manutenção muito baixa, o que garantiu milhões de unidades de ambos.



Próximo do ano 2000 estes modelos retornam as ruas, com desenho retrô e muitas evoluções tecnológicas, mas o atrativo principal dos primeiros modelos, o preço, já não fazia parte dos atrativos dos “populares do novo século”. Ainda assim chega a ser sucesso de vendas em alguns países, tanto é que a Audi não quer perder sua fatia do bolo, inserindo no mercado o A1. Marcas de elite querendo agradar a “classe média”? Sei não…



Carros Elétricos
EV1 plugged [1] Chevrolet EV1: um dos pioneiros a ser 100% elétrico e uma aposta para um futuro próximo.


Todos os anos, muita gente vem dizer que os estoques de petróleo estão se esgotando (mas sempre aparece um poço perdido em algum lugar no mundo, “FATO”), e dizem que a nova onda serão os carros elétricos. Aqui no Brasil essa história existe desde o fim da década de 1960, tanto é que o país foi o “pioneiro” no desenvolvimento do álcool combustível (hoje mais conhecido como Etanol), mas essa é uma outra história. Já com os carros elétricos, eles surgiram pouco tempo depois do aparecimento do que é considerado o primeiro automóvel do mundo, o Daimler 1886, durando algum tempo depois.



EV1 Crushed [1]Parte das 169 unidades recolhidas e destruídas pela GM americana 


Em 1996, a Chevrolet criou seu modelo elétrico, o EV-1. Mas pouco tempo depois, esse modelo foi recolhido pelo seu fabricante, sem motivo aparente, que destruiu 169 unidades do EV1, transformando-os cubos de lata (pressão dos fabricantes de combustível fóssil? talvez...). Hoje, marcas japonesas como a Mitsubishi estão investindo mais em pesquisas/construção de veículos elétricos, chegando ao ponto de extinguir algumas subsidiárias como a RallyArt, desenvolvedora dos míticos Lancer e Pajero EVO de rally. Histerismo “elétrico”? O.o*



Extinção de marcas conhecidas
Lapide Rally Art [1]RallyArt, uma das marcas (é uma divisão esportiva eu sei, mas de grande peso) mais conhecidas entre os autoentusiastas que vai pro limbo


A tal crise de 2008 já havia passado, mas até hoje tem marcas que estão desaparecendo do mercado, como Oldsmobile, Mercury, Pontiac e Daewoo, esta última incorporada pela GM, que curiosamente se desfez da Saturn e quase ”joga pela janela” a alemã Opel, retomando seu controle depois da turbulência da crise. Mas uma marca em especial, pelo menos para os fãs de esportivos e de Rally, é a RallyArt, divisão esportiva da Mitsubishi que foi extinta para concentrar os estudos nos carros elétricos da marca, já comentado no tópico acima. Com isso, um dos mais famosos carros de rally da atualidade deixará de existir, o Lancer EVO. Segundo a fábrica, o modelo atual sobrevive até 2012, podendo seguir outros caminhos depois disso (extinção, 2012… isso começa a me dar medo!!! O.O*).



Carros “Jurássicos”
Montagem Jurassicos Volkswagen Kombi e Fiat Uno: dois projetos ultrapassados que ainda resistem ao tempo.


Quando se falam em “jurássicos”, muitos vão lembrar da velha Kombi, mas também fazem parte deste time modelos como o Mille, Classic, Gol G4, Parati, Astra, Golf e outros mais (que não são tão velhos assim, mas já estão fazendo “hora extra”). Já comentaram que a Kombi duraria até 2014 e que até lá receberia ABS e Air Bag (!!!). Muitos dizem que o mundo acaba em 2012, então a Kombi, pelo menos no Brasil seria o “último dinossauro” até a destruição da p**** toda (O.o*)!



Gasolina acima de R$ 3,00
Protesto combustivel[1]Combustíveis: todos somos dependentes! 


Pare e pense: em um país que se julga auto-suficiente em petróleo e tem produção recorde de cana de açúcar, porquê o preço da gasolina está passando da barreira dos R$ 3,00 e o etanol beirando esse valor ?!?!? Ganancia dos usineiros? “Falta” de petróleo? Alta demanda? Realmente eu não sei, mas sei que hoje quem tem um carro está pensando até dez vezes antes de utilizar seu veículo. Até os motociclistas estão sentindo o efeito disso (e olha que motos gastam muito menos combustível que um carro). Daqui a pouco vai ter gente começando a andar de bike ou a pé!



Carros “descartáveis”
Carros descartáveis [1] Foi-se o tempo em que carro durava muito…


Antigamente quando se comprava um carro, os valores eram altíssimos e os mesmos duravam um bom tempo. Hoje, com as facilidades de crédito, está mais fácil de se conseguir um carro (mesmo com preços lá em cima, mas ainda assim um pouco mais baixos que antigamente). Mas e quanto a durabilidade? Hoje os carros parecem ser feitos de plástico e pouco duráveis. Antes os carros vinham cheio de cromados e peças metálicas, mas hoje o que impera é o plástico, tanto dentro quanto fora do veículo. Redução de peso? Talvez, mas a durabilidade de certas peças fazem com que a manutenção de certos carros se tornem inviáveis, a ponto de mandar um carro inteiro para o lixo (ou reciclagem, como queiram).



Voltando a usar “carroças”
Opala carroça [1]Será que voltaremos a usar carros semelhantes a este (ok não chega a tanto, mas é quase isso)? 


No dia 12 de maio surgiu a notícia que o governo pretende dificultar as importações de automóveis e autopeças, incluindo dos países do Mercosul. Segundo o governo, esta é uma medida que impede a competitividade dos fabricantes locais, aliado a valorização do Real frente ao Dólar e ao aumento das importações. Isso afetaria os proprietários de carros importados, em sua maioria fabricado em países do Mercosul, já que suas peças, também importadas, ficariam mais caras e, mesmo que se dê para comprar as peças ou carros, os mesmo seriam “barrados” por até 60 dias na aduana (link da notícia aqui).



Isso poderia ser um bom incentivo aos poucos fabricantes realmente brasileiros (como a Lobini e Chamonix, esta última uma fabricante de réplicas de Porsche antigos), mas acabaríamos voltando no tempo, mais precisamente na década de 1980, onde quem quisesse um carro “diferente” acabava por comprar um “fora de série” nacional, já que as importações de carros eram proibitivas, financeiramente falando (isso pode render um post, só com este assunto…).



Bom pessoal, é isso! Muitos podem achar isso uma paranóia, já outros podem achar uma certa dose de humor negro neste conteúdo. Quer saber? Comente ai!



Fotos: Kiko Molinari Originals®, www.ev1.org, callbeti.blogspot.com e Divulgação.
Texto, edição e montagem : Kiko Molinari Originals®

Tuesday, February 22, 2011

“Transformers”: Você ainda vai ver um!

Você já viu um “transformer”?

Não, não estou falando dos carros do recente filme Transformers. Os “transformers” em questão são veículos usados comprados em outros países (geralmente Japão e Korea do Sul) e trazidos para a América do Sul.

Quem costuma viajar pelo litoral sul do Brasil ou para o Paraguay já deve ter visto muitos desses “transformers”, em sua maioria veículos de fabricantes japoneses, passando bem do lado e nem tenha percebido que tal carro é de certa forma transformado.

Toyota Corolla [1] Toyota Corolla igual ao que já foi fabricado no Brasil. Mas será que é igual mesmo?

Mas então, como reconhecer um “Transformer”?

Simples: quem for bem antenado no mundo automotivo irá reconhecer um deles só de ver o modelo do veículo.

Toyota Caldina GT-Four (1-1)[1]Toyota Caldina GT-Four (3-3)[3]Toyota Caldina GTFour: feito apenas para o mercado asiático, mas que dá as caras aqui como um “transformer”

Não é um cara muito “antenado” no mundo automotivo? Ok, então lhe mostraremos como identificar um transformado:

Primeiro: um transformer geralmente é um carro japonês, e conta com o suporte da placa menor, bem no tamanho exato das placas paraguayas (é onde os “transformers” são encontrados aos montes). Além disso, os limpadores de pára-brisa são outro indicador de que o carro é modificado. Parece que não muda muita coisa, mas andando na chuva é que a diferença aparece! No caso das vans, a diferença fica pela porta traseira corrediça no lado esquerdo, diferente dos modelos ocidentais, se bem que a maioria vem com duas portas traseiras.

Transformers (2)[2]Repare nos limpadores de pára-brisas: o do primeiro plano indica que o carro é japonês

Transformers (9)[9]Transformers (10)[10] Toyota Granvia 3.0D, com porta traseira do lado esquerdo apenas.

Segundo: no interior é onde se vê (ou não) que tal carro é convertido: se o carro tiver cambio automático, os botões de acionamento  e a grade de indicação “P R N D 3 2 1” ficarão para o lado direito. Outro detalhe são os acionadores de pisca e limpadores de pára-brisa, geralmente invertidos se comparado ao padrão ocidental. Já no cofre do motor geralmente fica alguns “buracos” no “corta fogo”. Ali é tampado com selante resistente a altas temperaturas, como cobertura de asfalto para telhados.

Transformers (1)[1]Transformers (3)[3]Transformers (4)[4] Na seqüencia: botão do cambio automático do lado direito, seguido dos acionadores de piscas e limpadores de pára-brisa e as partes tampadas com selante em destaque

Como eles vem para cá?

Carro no Japão, de 5 a 10 anos ou mais de uso, chega a ser mais barato que uma bicicleta, (bikes mais elaboradas, tipo competição) e como o poder aquisitivo é muito alto não faria sentido andar com um “carro velho”. No Japão existem duas opções para se desfazer de um carro usado: vender para um desmanche ou vender para “exportadores”, geralmente árabes que nunca perdem um bom negócio (bem “monkey business” mesmo hehe).

Transformers CHILE-Iquique (1)[1]Veículos sendo descarregados no porto de Iquique, no Chile

Uma vez negociados, os veículos, em muitas vezes carros de passeio e utilitários, são embarcados em um navio e saem dos portos japoneses em direção ao porto de Iquique, no litoral do Chile. Como lá é uma “zona franca”, como Manaus/AM, a entrada deles fica muito facilitada, ainda mais por ficar mais perto dos portos japoneses.

Qual a vantagem de comprar um “transformer”?

Na Europa, onde os preços de carros também são muito em conta, até seria possível trazer um carro do Japão para rodar em solo europeu, mas dificilmente alguém conseguiria modificar o carro para o padrão ocidental, e mesmo se tivesse êxito na transformação o carro não teria a homologação para rodar normalmente por se tratar de uma “gambiarra” propriamente dita. As leis de lá são tão rigorosas que, mesmo se você trazer um carro se segunda mão da Alemanha, por exemplo, o carro não será homologado pelo simples fato de ser considerado “lixo” (!!!). Mas há exceções como Portugal, que ainda permite (ou permitia, não sei como é hoje) trazer carros usados com até 3 anos de uso para rodar em solo português, mas com sua revenda vetada.

Transformers (5)[5] Fazendo a modificação em um carro japonês

Não chega a ser algo muito vantajoso na Europa, mas na América do Sul, mais precisamente Paraguay, Chile e Bolívia, é algo muito rentável! Se comparar estes transformados com outros veículos “locais” compensa aderir a um “transformer” devido a sua qualidade e preços mais acessíveis para carros de linha média-alta, mesmo sendo de segunda mão. Outro fato de serem os preferidos é que vem do Japão, e “se vem do Japão então é confiável”, já que os carros de lá em sua maioria são bem cuidados, além de serem levados a oficinas oficiais e utilizarem peças de reposição originais, que lá são bem baratos.

Transformers (6)[6] Todas as peças do interior são reaproveitadas, menos o sistema de direção que é trocado por um novo por questões de segurança

A transformação:

Transformar um carro japonês não é algo simples: tem que desmontar o painel, retirar o sistema de direção e é feita o reposicionamento dos cabos e tubos de ar. A parte mais trabalhosa é o painel: sua modificação é algo praticamente artesanal. É a parte mais trabalhosa da transformação, e uma vez bem executada fica difícil saber se o carro é um “transformer”. Todas as peças são reutilizadas, exceto o sistema de direção, que é utilizada uma peça nova por razões de segurança.

Transformers (7)[7] O painel é a parte mais trabalhosa de ser feita. É aqui que indica se um carro é convertido ou não, mas um trabalho bem feito acaba por disfarçar isso.

O Negócio:

Poucos países costumam fazer isso, mas no caso do Paraguay há certos fatores que facilitam a entrada dos “japas” no país, como a chegada deles via Porto de Iquique/Chile. Os japoneses costumam fazer boas negociações com veículos usados. Um exemplo: um Toyota Corolla G 1999 sai do Japão custando aproximadamente € 700,00, e chega ao Porto de Iquique valendo € 2.000,00 !

Toyota Corolla G Japan (1-1)[1]Toyota Corolla G Japan (2-2)[2]Toyota Corolla G, versão japonesa.

Um exemplo mais completo: um Toyota 4Runner ou uma Hilux Surf SSR, que são o mesmo modelo (Hilux SW4 no Brasil) sai do Japão custando uns € 5.000,00. Para levar este veículo do Chile até o Paraguay usando uma “cegonha” o frete é de € 350,00 (geralmente o frete é repartido com mais pessoas para compensar o mesmo, e assim a cegonha vem sempre cheia). chegando no Paraguay tem o custo da aduana, que geralmente é de 15% o valor declarado do carro, e mais € 350,00 da transformação para poder rodar legalmente. No fim das contas, os 4Runner saem por aproximadamente € 10.000, o que, arredondando os valores, o lucro operacional é de € 3.000,00 neste caso!

Toyota Hillux Surf (2-2)[2]Toyota Hillux Surf (1-1)[1] Toyota Hillux, um dos mais procurados no Paraguay

Carros como os Toyota Corolla, Corolla Spacio, Premio Caldina e muitos outros podem ser modificados com valores entre € 5.500,00 a € 9.000,00 dependendo da “cara do cliente” (O.o*!). Mas isso é uma pratica que está desaparecendo, pois o preço de um carro “original” é em muitas vezes igual ou pouco mais caro que um modificado.

Fonte: Motorpasion En Español                                                                       

Fotos: Federico Sabez / Motorpasion, Kiko Molinari Originals® e Divulgação                                                                                                         

Texto e edição: Kiko Molinari Originals®

Retirado do blog parceiro (nsbc) Carros Raros BR

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